A ADDLAP realizou a última sessão de esclarecimento do DLBC 2030 em Vila Nova de Paiva, no Salão Nobre da Câmara Municipal, que contou com a presença de pequenos produtores, artesãos e transformadores. Foi a quinta paragem de um percurso iniciado em Viseu, atravessando os municípios da região, numa viagem que procurou levar informação ao território que vive da terra, dos frutos, das mãos que transformam e das ideias que insistem em ficar.
Carla Maia, coordenadora da ADDLAP, explicou que a nova medida 1112 – Bioeconomia e Economia Circular é mais do que um nome técnico. É uma oportunidade. “A 1111 já terminou, tivemos muitas candidaturas e não vamos conseguir apoiar todas”, disse, com a franqueza de quem sabe que os recursos nunca chegam para tudo. “A 1112 tem um nome estranho, é verdade, e isso afasta algumas pessoas, mas queremos que percebam o que podem enquadrar aqui e que tipos de financiamento existem.”
Falou de fumeiro, de lagares de azeite, de compotas e licores, como quem enumera o quotidiano das aldeias. “Tudo isso cabe nesta medida”, explicou, pois “precisamos cada vez mais de transformar os produtos locais para deixarem mais valor acrescentado na terra.” E, como quem abre uma porta para novas possibilidades, trouxe exemplos que já vivem no território sem que muitos lhes chamem bioeconomia: o caroço da azeitona transformado em energia elétrica, os restos da floresta convertidos em pellets, os tecidos reutilizados no artesanato que resiste ao tempo. “A economia circular está aqui, nas mãos de quem trabalha”, frisou.
As candidaturas podem ir dos 10 mil aos 250 mil euros, com um montante global que ronda os 200 mil euros, mas mais do que números, o que importa é que a informação chegue a quem dela precisa. “Esta foi a última das cinco sessões, mas a ADDLAP tem sempre as portas abertas. O que queremos é que as pessoas invistam na sua terra”, afirmou Carla Maia, num tom que misturava responsabilidade e esperança.
Já Paulo Marques, presidente da ADDLAP e da Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, reforçou a importância de apoiar quem quer arriscar. “Quem tem pequenas empresas e se enquadra neste aviso pode ter apoios relevantes, que podem chegar aos 150 mil euros, o que não é pouco”. E acrescentou, com a firmeza de quem conhece o peso das decisões no mundo rural: “Estamos aqui para dar aquele impulso que muitas vezes é preciso quando alguém tem dúvidas. Este conforto financeiro pode ser decisivo para concretizar o negócio”, realçou o presidente da Associação.
A sessão terminou com a sensação de que o território se pensa a si próprio, com os pés na terra e os olhos no futuro. Entre fumeiros, pequenos frutos, artesanato e energia renovável, o DLBC ADDLAP 2030 quer transformar o que já existe – e fazer com que cada produto, cada ideia e cada investimento deixem mais valor na região que lhes dá origem.

