No I Festival Literário Internacional de Viseu nasceu um novo espaço cultura, a Biblioteca Comunitária

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Ativada pela Popularia – Associação do Comum, a nova biblioteca nasceu com mais de 10 mil livros, no Mercado 21 de Agosto, e marca o início da reconversão deste edifício como espaço cultural de Viseu. Durante o FLIV, será um dos principais palcos do Festival, com mesas de debate e outras iniciativas

Quem passeia pela Avenida Dr. António José de Almeida e espreita o Torreão Nascente do Mercado 21 de Agosto, através do pórtico de entrada, encontra um novo espaço dedicado aos livros, à cultura e à comunidade: a Biblioteca Comunitária de Viseu, um projeto que nasceu com a 1ª edição do FLIV – Festival Literário Internacional de Viseu.

Dinamizada pela Popularia – Associação do Comum, a Biblioteca reúne um acervo de mais de 10 mil livros provenientes de coleções particulares e pretende afirmar-se como muito mais do que um espaço de leitura. É um lugar de partilha de conhecimento, valorização de memórias, encontro entre gerações e participação ativa na vida da cidade.

A abertura deste espaço representa também o primeiro passo de um plano mais alargado para o Mercado 21 de Agosto. Depois de vários anos sem utilização, este edifício, situado no centro da cidade, começa a ganhar uma nova vida, num processo que pretende dedicar os seus espaços à Cultura e devolvê-los à comunidade.

“Abrir a Biblioteca Comunitária no arranque do FLIV é um gesto com significado. Estamos a devolver à cidade um espaço que esteve demasiado tempo fechado e a fazê-lo através dos livros, da leitura e da participação. Este é o primeiro capítulo de um projeto maior para o Mercado 21 de Agosto, que queremos que seja um lugar de criação, de encontro e de comunidade”, afirma o Presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo.

Uma biblioteca construída com a comunidade

Com uma identidade assente na partilha e na colaboração, a Biblioteca Comunitária pretende promover o acesso gratuito aos livros e criar oportunidades para que a população participe na construção e no crescimento do projeto.

O acervo é constituído por doações de coleções particulares, que serão organizadas e preservadas, reconhecendo também o valor das histórias e das memórias que os livros transportam. O conceito prevê, igualmente, a possibilidade de disponibilizar coleções particulares cedidas temporariamente pelos seus proprietários, permitindo que estas sejam partilhadas com a comunidade sem que tenham de ser doadas definitivamente.

Mais do que um lugar de consulta de livros, a Biblioteca quer ser um espaço aberto, informal e acolhedor, onde seja possível ler, conversar, trocar experiências e aprender em conjunto. Um lugar de encontro quotidiano, acessível a diferentes públicos e gerações, onde os livros funcionam como ponto de partida para a descoberta, o diálogo e a construção de relações de proximidade.

A programação terá também um papel central na dinamização do espaço, com a realização regular de oficinas, conversas, tertúlias, clubes de leitura e escrita, apresentações de livros e outras iniciativas culturais e participativas. Entre as propostas previstas encontram-se atividades dedicadas à infância, à expressão artística, à comunicação, à história de Viseu e à cidadania ativa, promovendo o envolvimento de diferentes públicos e o desenvolvimento de projetos em colaboração com a comunidade.

A participação começa desde logo na própria organização da Biblioteca. Durante este mês de outubro, às quartas-feiras, entre as 14 e as 19 horas, a população é convidada a colaborar, em regime de voluntariado, na receção, catalogação e organização dos livros, contribuindo diretamente para a construção deste novo espaço cultural.

Uma parceria para dinamizar o Mercado 21 de Agosto

A instalação e dinamização da Biblioteca Comunitária resultam de um protocolo de cooperação cultural entre o Município de Viseu e a Popularia – Associação do Comum.

No âmbito desta parceria, o Município disponibiliza gratuitamente os espaços do Torreão Nascente do Mercado 21 de Agosto e colabora na promoção e divulgação das iniciativas, enquanto a Popularia assegura os recursos humanos e técnicos necessários ao funcionamento e à dinamização da Biblioteca.

A médio prazo, a associação propõe-se também desenvolver um Observatório do Comum, dedicado à reflexão, à investigação e à partilha de conhecimento sobre práticas comunitárias, participação cívica e formas de colaboração que contribuam para o desenvolvimento dos territórios.

Um dos palcos do FLIV

Durante o Festival Literário Internacional de Viseu, a Biblioteca Comunitária assume-se como um dos espaços centrais da programação, acolhendo sessões e encontros com autores nacionais e internacionais, entre os quais Daniel Kondo, Nara Vidal, Regina Brito, Andrea Caraciola, Déa Paulino e Otildo Justino Guido, entre outros. A programação completa do FLIV está disponível em www.fliviseu.pt.