Mangualde lança plano estratégico para transformar potencial turístico em destino competitivo

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Mangualde apresentou o processo de elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico do concelho, uma iniciativa que pretende articular agentes públicos e privados, qualificar a oferta e aumentar a permanência dos visitantes no território. O projeto será desenvolvido com participação da comunidade e acompanhado por um fórum permanente dedicado à concretização e avaliação das medidas.

De potencial a destino turístico

Na apresentação do plano, o presidente da Câmara Municipal de Mangualde, Marco Almeida, afirmou que o concelho precisa de avançar para uma estratégia comum, capaz de converter os seus recursos numa experiência turística integrada. “Mangualde não precisa apenas de ter um potencial turístico. Mangualde precisa de aproveitar esse potencial e transformá-lo num destino turístico”, declarou o autarca.

O objetivo passa por incentivar os visitantes a permanecerem vários dias no concelho, combinando experiências ligadas ao vinho do Dão, ao agroturismo, ao turismo de natureza, ao artesanato e aos produtos locais. Segundo Marco Almeida, esta abordagem deverá reforçar a economia local e contribuir para uma melhor qualidade de vida.

O presidente sublinhou ainda que o sucesso dependerá do trabalho em rede entre município, juntas de freguesia, operadores turísticos, comunidade e órgãos de comunicação social, apoiado por uma estratégia “comum e concertada”.

Processo participado, inovador e sustentável

Pedro Mortágua Soares, da Cidade Social e responsável pela elaboração do plano, apresentou cinco princípios orientadores: visão de futuro, participação, inovação, sustentabilidade e monitorização.

“Queremos que, ao longo do processo, nada seja imposto, mas recolhido das sugestões de quem está no terreno”, explicou. O responsável defendeu um documento “aberto e dinâmico”, que possa ser ajustado à medida que as ações forem concretizadas e os seus resultados avaliados.

A metodologia prevê a criação do TurisLab Mangualde, um fórum coordenado pelo município e com participação de empresas, associações, agentes locais e comunidade. O laboratório deverá promover a articulação entre os intervenientes, apoiar a criação e qualificação de produtos turísticos, estimular a inovação e a sustentabilidade, acompanhar a evolução da atividade e propor iniciativas de valorização do destino. “Será um laboratório vivo de ideias e de projetos”, resumiu Pedro Mortágua Soares, salientando que a monitorização permitirá verificar se as medidas planeadas estão a produzir impacto e reformulá-las quando necessário.

Educação, qualificação e envolvimento da comunidade

Entre as áreas de intervenção propostas encontram-se a sensibilização da população para o turismo, a qualificação dos agentes e da oferta, o desenvolvimento de produtos e experiências, a valorização do património, o marketing e a comercialização, a animação turística, os eventos, a inclusão e a governação.

A educação assume um papel central. A proposta inclui trabalho com os vários níveis de ensino para que os jovens conheçam e saibam valorizar o território. Entre as ideias apresentadas está a criação de um jogo inspirado no Monopólio, adaptado aos locais de interesse turístico e cultural de Mangualde.

A vereadora do Turismo, Rosalina Alegre, destacou o trabalho já desenvolvido pelos técnicos municipais e a importância de ouvir os operadores. “O vosso sucesso será, com certeza, o sucesso do município e vice-versa”, afirmou.

A autarca referiu ainda a aprovação de projetos que associam a ferrovia ao turismo, no âmbito do Expresso Alto Mondego, e a candidatura do Encruzarte aprovada pelo Turismo Centro de Portugal, considerando que estas iniciativas demonstram o reconhecimento do caminho seguido pelo município.

Alinhamento regional e valorização da identidade

Pedro Pontes, da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal, enquadrou o plano nas estratégias de âmbito nacional, regional e local e realçou três princípios: “Identidade, autenticidade e, acima de tudo, envolvimento da comunidade”.

O responsável apontou a diversidade económica e turística de Mangualde como fator diferenciador, incluindo o património, a produção vinícola, a indústria, os eventos e o potencial do turismo industrial. Defendeu, contudo, que a promoção deve corresponder à capacidade real da oferta e proporcionar experiências consistentes. “A maior comunicação que nós podemos levar é aquilo que levamos de memória de um determinado território”, afirmou, destacando o contacto humano como elemento essencial da experiência turística.

O lançamento do plano marca o início de um processo de auscultação e construção coletiva. As linhas de ação serão aprofundadas com os agentes locais, procurando afirmar Mangualde como um destino competitivo, autêntico e sustentável, assente na identidade local e na participação da comunidade.