O projeto “Visto por Viseu” propõe uma viagem pela música urbana portuguesa e pelo chamado “boom” do rock nacional, recuperando histórias, memórias e testemunhos de alguns dos protagonistas que marcaram as décadas de 1970 e 1980. Idealizado pelo radialista, DJ e produtor viseense Lemos Figueiredo, com a colaboração de Carlos Carvalho e o apoio da Freguesia de Viseu, o projeto pretende preservar a memória musical e aproximá-la de diferentes gerações.
A primeira temporada é inteiramente dedicada aos anos de afirmação do rock português, através de uma série de conversas e entrevistas em vídeo que procuram ir além dos discos e das canções mais conhecidas. O objetivo passa por revelar histórias de bastidores, episódios pouco conhecidos e curiosidades contadas pelos próprios artistas que participaram naquele período da música nacional.
Lemos Figueiredo explica que o projeto nasceu da vontade de partilhar a paixão pela música urbana portuguesa e, simultaneamente, registar a história através dos testemunhos de quem a viveu. A ambição é estabelecer uma ponte entre gerações, permitindo a quem viveu aquela época revisitar a banda sonora da juventude e oferecendo aos mais novos a possibilidade de descobrir os autores, bandas e movimentos que ajudaram a transformar a cultura musical portuguesa.
Entre as histórias recuperadas pela primeira temporada está a origem da famosa “Rosete”, dos TAXI, que, segundo o projeto, corresponde a uma pessoa real, assim como o percurso do Grupo de Baile, cuja génese esteve ligada a uma banda filarmónica.
A ligação a Viseu é igualmente explorada. O projeto recorda, entre outros episódios, a passagem de Midus Guerreiro, dos Roquivários, pela discoteca The Day After, depois de uma atuação na Feira de São Mateus. Outro dos percursos abordados é o de Orlando Cohen, ligado aos Peste & Sida e Censurados, incluindo a passagem do músico pelo trabalho a bordo de um navio.
Ao longo da primeira temporada, o “Visto por Viseu” prevê encontros com nomes e bandas como UHF, Petrus Castrus, José Cid, Diva, Doutores & Engenheiros, Rádio Macau e Ecos da Cave, entre outros, procurando construir um retrato feito a partir das memórias dos próprios protagonistas.
Segundo Lemos Figueiredo, a reação dos artistas convidados foi inicialmente de surpresa e, posteriormente, de gratidão pelo aparecimento, em Viseu, de um projeto dedicado a ouvir, registar e valorizar os seus percursos. Esta proximidade constitui uma das linhas orientadoras do formato, que privilegia a conversa e o testemunho direto.
Num contexto dominado por conteúdos digitais de consumo rápido, o projeto pretende diferenciar-se através de conversas mais demoradas, centradas na descoberta e na preservação da memória. Outra das propostas passa por recordar o papel desempenhado pelo rock português na cultura jovem e na liberdade de expressão.
Os episódios da primeira temporada começam a ser disponibilizados este mês nas principais plataformas digitais e nas redes sociais do projeto. O “Visto por Viseu” procura, assim, transformar as memórias dos anos 70 e 80 num arquivo vivo de histórias e protagonistas, ligando Viseu a um dos períodos mais marcantes da música popular portuguesa.

