“Arte de Construções de Pedra Seca na Serra do Caramulo” recebe placa do Património Cultural Imaterial

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No âmbito das celebrações do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial, foi entregue, esta sexta-feira (16 de outubro), a placa que atesta a inscrição da “Arte de Construções de Pedra Seca na Serra do Caramulo” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI).

A distinção foi entregue à vereadora com o pelouro da Cultura no executivo municipal de Tondela, Helena Rodrigues, pelo secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos e pelo presidente da Património Cultura I.P., João Soalheiro, numa cerimónia que decorreu na Casa das Artes, na Cidade do Porto, e que reconheceu 14 manifestações de todo o país, entre os quais três do distrito de Viseu.

A inscrição da “Arte de Construções de Pedra Seca na Serra do Caramulo” no INPCI resulta de um trabalho liderado pelo Município de Tondela em parceria com os concelhos vizinhos de Vouzela, Oliveira de Frades, Mortágua e Águeda, cuja montanha atravessa também os seus territórios.

Além da receção da placa de Património Cultural Imaterial, as construções de pedra seca foram ainda apresentadas a todos os presentes na sessão comemorativa por parte da coordenadora da candidatura, Celeste Afonso.

A “Arte de Construções de Pedra Seca na Serra do Caramulo” foi inscrita na última terça-feira (13 de outubro) no INPCI.

O anúncio publicado em Diário da República salienta a inclusão da Pedra Seca do Caramulo na lista do património cultural imaterial nacional enquanto reflexo da identidade das comunidades da serra, grupos e indivíduos que a praticam; a relevância da sua dimensão histórica, social e cultural na área territorial em que se insere; e a necessidade de proteção e promoção dos contextos de transmissão de saberes e conhecimentos implicados, que apresentam, atualmente, elevados riscos e ameaças à sua continuidade”.

O mesmo documento realça ainda “a urgência no desenvolvimento de medidas de salvaguarda que garantam a viabilidade futura da arte em apreço, assim como a capacitação e valorização das comunidades, grupos e indivíduos associados; e a articulação desta prática com as exigências de desenvolvimento sustentável no território e respeito pelos direitos, liberdades e garantias de todos os envolvidos”.

As construções de seca estão ainda muito presentes na paisagem da Serra do Caramulo, em muros que delimitam pequenas parcelas agrícolas, em construções como palheiros, espigueiros, habitações e em caleiros e levadas. Estas estruturas são uma autêntica marca identitária do território.

Agora que foi conseguida a inscrição no INPCI, o próximo passo é avançar com a inclusão das Construções de Pedra Seca do Caramulo na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, que foi classificada em 2018 e que na altura juntou Chipre, Croácia, Eslovênia, Espanha, França, Grécia, Itália e Suíça.

A ideia passa por requerer junto destes oito países, a inclusão das construções de pedra seca do Caramulo neste consórcio europeu.

A pedra seca é a terceira manifestação do concelho tondelense a ser inscrita no INPCI por intermédio do município de Tondela. A lista inclui também a “Festa das Cruzes do Guardão” e o “Processo de Produção do Barro Negro de Molelos”.