Mosteiro, na freguesia de Penaverde, em Aguiar da Beira, recebe a 1 de março a XII Festa do Pastor e do Queijo, iniciativa que visa dar visibilidade à produção pecuária de ovinos e caprinos no concelho. Augusto Canário é atração e vai atuar pelas 15 horas.
A iniciativa vai acontecer no mercado do queijo de Mosteiro e celebra uma das tradições mais identitárias do território, homenageando queijeiras e pastores, destacando o queijo como produto emblemático local e promovendo os saberes e práticas ligados à pastorícia e à produção artesanal. A festa inclui exposição e concurso pecuários de ovinos da raça Bordaleira, nas categorias de ovelhas adultas, carneiros, malatos e malatas.
Em conversa com a Gazeta Rural, o presidente da Câmara de Aguiar da Beira diz que o efetivo pecuário no concelho “está estável”. Virgílio Cunha diz que “há menos pastores com pequenos rebanhos, com 40 ou 50 ovelhas, mas outros houve que duplicaram o número de animais”.
Gazeta Rural (GR): O que vai haver de diferente na Feira do Pastor e do Queijo e como está o setor?
Virgílio Cunha (VC): Relativamente ao setor, quer no efetivo pecuário, quer nos produtos lácteos, que, neste caso, é o que está agora em causa, a situação está estável. O número de animais e as explorações são praticamente as mesmas. Diria, que temos os mesmos produtores do ano passado a fazer o queijo artesanal, sendo que muito do leite de ovelha vai para as indústrias de laticínios do concelho.
Como disse, o setor no concelho está estável e dá-nos força para manter e investir no evento, porque vemos que há gente nova a abraçar a atividade, que era dos pais, e a continuar com a produção do queijo e ao pastoreio dos animais.
Para a feira temos um programa variado, que começa às 9 horas com uma caminhada, a que seguirá a sessão de abertura, que será presidida pela senhora Secretaria de Estado da Habitação, e a tradicional prova de queijo. Depois, às 15 horas, atua o Augusto Canário.
A presença da senhora Secretária de Estado é importante, pois nós temos um arrojado programa de habitação no âmbito do programa ‘Primeiro Direito’. Aproveitaremos a sua presença para ela visitar dois empreendimentos da Câmara, um com 10 habitações e outro com 12, e que estão em andamento.

GR: Disse que o efetivo está estável no concelho, o que significa que está em contraciclo com outros concelhos da Região Demarcada do Queijo Serra da Estrela, onde há uma diminuição do efetivo?
VC: Temos verificado é que o efetivo pecuário estabilizou. Há menos pastores com pequenos rebanhos, com 40 ou 50 ovelhas, mas outros houve que duplicaram o número de animais, pois chegaram à conclusão que lhes dá o mesmo trabalho. O aumento do efetivo nessas explorações compensou uma ou outra que tinha menos cabeças de gado e que deixou a atividade.
Dizer que no âmbito da feira, vamos levar a cabo um concurso de gado ovino e caprino, o que não se faz em muitos lados e, por isso, temos um evento diferente. Vão ser premiados os criadores das melhores malatas, ovelhas e carneiros e as melhores cabeças de gado ovino e caprino.
GR: Falou na presença da Secretária de Estado da Habitação. Hoje, a atratividade de um concelho também se ‘mede’ pela oferta de habitação?
VC: Sim. Efetivamente verifica-se, tal como noutros concelhos, alguma falta de habitação para arrendamento e isso também nos preocupa. Temos, neste momento, candidatadas 103 casas ao programa ‘Primeiro Direito’, 41 estão em andamento, outras muito próximas de começar as obras. Temos 28 casas de habitação pública e 13 ou 14 de beneficiários diretos. As pessoas têm direito a uma habitação digna e por isso os beneficiários diretos entram para melhorar a sua casa, – aqueles que reúnem condições para aceder ao programa, – mas também entendemos que a Câmara deveria ter o seu próprio parque habitacional. Neste sentido, candidatámos dois loteamentos, um com 10 habitações de tipologia T1, T2 e T3 e um outro com 12 T1. Neste âmbito, estamos a recuperar seis escolas, que estavam abandonadas há anos, para a habitação, precisamente porque uma das coisas que fixa mais gente ao território é haver disponibilidade de habitação. Queremos, por essa via, disponibilizar a habitação, para que consigamos estancar a saída e, por outro, atrair pessoas para o território.

