Celorico da Beira volta a viver as Festas de Santa Eufémia, uma celebração que une fé, produtos locais, música, gastronomia e a histórica feira anual. As festas decorrem nos dias os dias 11, 12, 13, 15 e 16 de setembro, este último dia da padroeira. Em entrevista à Gazeta Rural, o presidente da Câmara, Carlos Ascensão, destaca a importância de preservar “tradições ancestrais” e reforçar o orgulho rural
As Festas de Santa Eufémia são, para Celorico da Beira, mais do que um evento de final de verão, mas um marco identitário que atravessa gerações. Ao longo de cinco dias, o concelho volta a reunir comunidade, visitantes e produtores num programa que combina tradição, convívio e ruralidade. O presidente da Câmara de Celorico da Beira explica o significado profundo desta celebração e os desafios que hoje marcam o mundo rural celoricenses. Para Carlos Ascensão, a Feira de Santa Eufémia – que se realiza a 16 de setembro – continua a ser um símbolo da ruralidade local. “É uma feira antiga, tradicional e do mundo rural”, recorda, evocando tempos em que “as pessoas traziam os seus produtos agrícolas e sobretudo o gado, vendiam o que tinham e compravam o que precisavam”. O objetivo é manter viva essa memória, adaptando-a ao presente. “É um período de festa e de nós preservarmos aquilo que são tradições já ancestrais, aquilo que faz parte da nossa identidade, das nossas raízes”, refere o autarca.
Um programa que reforça comunidade e produtos locais
A edição de 2026 aposta novamente na valorização dos produtos endógenos, com a segunda edição da mostra “É nosso, é bom”, que abre a 12 de setembro. “Desafiamos juntas de freguesia, associações e particulares para trazerem e promoverem os seus produtos, mas também para haver convívio e espírito comunitário, que também são importantes”, sublinha o autarca.
O programa arranca a 11 de setembro com uma revista portuguesa, seguindo-se oficinas comunitárias, folclore, animação musical, espaço infantil e atividades equestres. Entre as novidades, destaca-se o espetáculo equestre e os batismos equestres, que voltam a ocupar o fim de semana de 12 e 13 de setembro. À noite, a festa ganha força com o grupo Vizinhos como cabeça de cartaz, acompanhados pelos DJs Cromos da Noite e Kimono, num momento pensado para atrair os mais jovens.
Inspirada no lema “É Nosso. É Bom!”, a organização promove, em parceria com o NERGA, o seminário “Regressar para Construir”, no dia 12 de setembro, às 9 horas, na Biblioteca Municipal. Será um momento de reflexão e partilha, reunindo testemunhos de quem permaneceu na terra, de quem partiu e regressou, e de empresários que escolheram Celorico da Beira para investir e criar valor. Será um dos momentos simbólicos da festa. “Temos de acolher bem estas pessoas e temos de lhes criar condições para aqui viverem bem e com conforto”, afirma Carlos Ascensão, destacando o crescente movimento de retorno de jovens e famílias ao concelho.
Trilho do Cerco e música para todos
No domingo, 13 de setembro, realiza-se o Trilho do Cerco, já com grande adesão, que percorre paisagens, produtos e tradições locais, com degustações incluídas. A tarde será marcada por música tradicional e pelo concerto dos Santa Maria, reforçando o caráter popular da festa.
A gastronomia volta a ter destaque com o roteiro da sopa de grão, prato emblemático da região. “É uma tradição antiga e bastante apreciada. É uma sopa suculenta, com grão como base e vários ingredientes, que variam de restaurante para restaurante”, explica o presidente. A degustação decorre a 15 de setembro, nos restaurantes aderentes.
Mostra de gado: a essência da ruralidade celoricense
O ponto alto chega a 16 de setembro, com a Feira Anual de Santa Eufémia e a Mostra de Gado, renovada pela autarquia. “É uma das marcas mais fortes, mais emblemáticas e mais identitárias da feira”, afirma Carlos Ascensão, numa manhã que começa com a Eucaristia na Capela de Santa Eufémia, seguida de animação de rua.
Questionado sobre o estado atual da pecuária no concelho, o autarca é direto: “Houve um decréscimo de efetivos ovinos e caprinos e, hoje, temos menos rebanhos do que no passado”.
A diminuição das raças autóctones – Bordaleira e Churra Mondegueira – preocupa a autarquia, sobretudo pela ligação ao Queijo Serra da Estrela. “É algo que nos preocupa e temos de dar mais apoio aos produtores e aos jovens agricultores”, refere Carlos Ascensão.
Apesar das dificuldades, o autarca diz que há sinais de esperança. “Vemos algumas pessoas mais novas a voltarem para a terra, alguns herdeiros de avós e pais, outros que vêm de fora. São todos bem‑vindos”, realça o autarca.
Com tradição, música, gastronomia, produtos locais e a força da ruralidade, as Festas de Santa Eufémia 2026 prometem reforçar o papel de Celorico da Beira como território de identidade, memória e comunidade, num lugar onde o passado continua a inspirar o futuro.

