O Ciclo do Pão, que se realiza em Meruge, desde 2010, tem este ano razões acrescidas para celebrar. A Lage Grande, magistral afloramento granítico onde se desenvolvem as principais actividades da iniciativa, foi elevada a Geossítio na categoria de MODELADO GRANÍTICO, com o código GW25, pelo Estrela Geopark Mundial da Unesco.
Este merecido reconhecimento à Lage Grande, pelo qual lutámos durante dezenas de anos, enche-nos de alegria e vem reforçar o nosso empenhamento em manter vivas as tradições e a cultura associadas á faina dos cereais, que dia 20 de Setembro, numa jornada aberta a toda a população e visitantes, vamos recriar na Lage Grande, com a “descasca” e a “malha a mangual” do milho, no fim dos quais será servida a “merenda tradicional”, componente gastronómica onde pontifica a “petinga em molho de escabeche”, os “bolos de farinha triga” e o “arroz doce de anis”.
A conclusão das colheitas e a tradição de, pelo S. Miguel (29 de Setembro), pagar as rendas agrícolas em cereal, bem como a aproximação ao Equinócio de Outono (23 de Setembro), determinam, desde o início, a escolha do terceiro domingo de Setembro, como data deste evento.
Diz a história, que o milho apareceu em Portugal após as viagens de Cristóvão Colombo, no século XVI e surgiu como cultura agrícola nos campos do Mondego, de onde se expandiu rapidamente para toda a região das Beiras e para as províncias de Entre Douro e Minho, transformando-se no principal alimento da população.
A Broa, a Trigamilhos, o Pão de Mistura, foram-se consolidando, através dos séculos como variedades de pão típicas destas regiões do País, as quais, a par das bôlas de Carne, Chouriça e Bacalhau, vão ser confecionadas durante todo o dia de Domingo, 20 de Setembro, no Forno Comunitário de Meruge, local onde será inaugurada, pelas 11 horas, uma segunda unidade de produção.
A Caminhada “Milho Rei”, um passeio singular pelos prados e campos circundantes, com visita a um Moinho Tradicional, terá início pelas 8 horas da manhã, com paragem obrigatória, às 10 horas, no Prado do Chão de Várzea, para se proceder à ceifa do milho e degustar a “Petica”, onde a sardinha “albardada” e o queijo curado durante meses no cereal, são iguarias imprescindíveis.
O Almoço Solidário, cuja receita integral reverterá, tal como a da Caminhada, para as obras de construção do LAR, que entraram no seu processo de finalização, será servido, pelas 13 horas, no salão da Associação dos Amigos de Meruge, tendo o nosso icónico Arroz de Suã como prato principal.
Pela primeira vez, e integrado no Ciclo do Pão, irá decorrer um Passeio de Tractores, num percurso por várias localidades do Concelho.
Após o almoço, comensais e visitantes podem adquirir produtos regionais nas bancas instaladas no local. Pelas 16 horas, inicia-se a “descasca”, sendo previsível o aparecimento de uma ou mais espigas de “milho rei”, que darão lugar a momentos de alarido e beijos de roda. “Descasquei o meu milhinho/Ao luar duma só noite/Cada espiga era um carinho/Cada beijo um doce açoite”.
A animação musical, inicia-se a seguir ao Almoço e estará a cargo do Grupo de Concertinas “Sons da Serra” e do Rancho Folclórico “Camponesas do Alva”, da Vila de Avô, que também participará na recriação etnográfica.
O Ciclo do Pão é a afirmação genuína da nossa cultura imaterial, onde a vivência popular está de mãos dadas com a tradição, na afirmação de um Mundo Rural Vivo e a gostar de si mesmo, e é dinamizado pela Junta de Freguesia de Meruge, com a prestimosa colaboração da ADSC Vale do Cobral e o apoio da Associação dos Amigos de Meruge e da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

