Uma corrida de toiros, com os cavaleiros Ana Batista, João Moura Caetano e Luis Rouxinol Júnior, é o destaque do programa da Feira do Mundo Rural de Meda, que terá lugar a 20 e 21 de junho na Nave de Exposições. O evento vida promover os produtores locais e o território, mas é também “uma homenagem a quem cuida da terra, dos animais e da floresta, no Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores”. O programa da feira conta com várias iniciativas associadas ao mundo rural com destaque para o II Concurso Nacional de Ovinos da Raça Churra Mondegueira; o III Encontro de Tratores Agrícolas e a corrida de toiros. Em entrevista à Gazeta Rural, o presidente da Câmara de Meda diz que “serão dois dias para valorizar os nossos pastores, produtores pecuários, agricultores, produtores de mel e outros”. César Figueiredo adiantou que a 18 de julho, há o ‘Há Beira e Douro’, evento dedicado à viticultura, à enologia e aos nossos produtores e engarrafadores.
Gazeta Rural (GR): A Feira do Mundo Rural é uma mostra do que melhor se faz na Meda e traz uma tourada, o que é uma novidade na região?
César Figueiredo (CF): A Feira do Mundo Rural visa valorizar quem nele trabalha. Serão dois dias para valorizar os nossos pastores, produtores pecuários, agricultores, produtores de mel e outros. Através deste evento, queremos lembrar quem trabalha todo o ano na terra e esta gente não pode ser esquecida, pois é quem ocupa verdadeiramente estes territórios.
Falamos muito nos territórios do interior, e da sua importância, mas não fazemos eventos para promover e valorizar a identidade de um povo, de uma terra e das suas gentes. Durante dois dias queremos destacar o que temos de bom no nosso território.
Quanto à Corrida de Touros, ela faz parte da nossa cultura tradicional portuguesa, como faz parte da gastronomia e do património. A obrigação de um autarca é trazer cultura aos nossos territórios. Através desta ação, queremos proteger uma espécie, que é o touro bravo, um animal nobre, e que permite, através destes eventos, valorizar o cavalo Lusitano e o touro bravo. É trazer à Meda essa cultura, também enraizada no nosso território e no nosso país.
Nós devemos preservar a nossa identidade, de onde vimos, quem somos e que caminho devemos trilhar. Temos de valorizar quem ocupa os territórios, chamados de baixa densidade, com alta resiliência, mas que, tendo todas as insuficiências que são conhecidas, permitem também valorizar os nossos territórios, as nossas gentes e, numa amplitude maior, as nossas tradições.

GR: As pessoas esquecem, ou não sabem, que o touro bravo só existe se houver lide, de outra forma é uma raça que desaparece?
CF: As ovelhas só existem se tivermos pastores, os pastores só existem se lhe dermos condições para que possam tirar proveito dessa ação de pastoreio, de controlar as infestantes, de serem, os pastores e os seus rebanhos, os sapadores deste território.
Se é importante valorizarmos aquilo que é a essência também do pastor, também é importante valorizar as ganadarias, que permitem a preservação do touro bravo. Através deste evento podemos valorizar esta espécie, que é secular, e que nós não devemos esquecer.
GR: Como está hoje o concelho, sendo que o setor primário é determinante na economia da Meda?
CF: A Meda é uma terra essencialmente agrícola, num território de transição do Douro para a Beira, por isso temos um património vitícola ímpar e nesta Feira do Mundo Rural pretendemos valorizá-lo, mas vai ter um evento próprio, que se vai realizar dia 18 de julho, o ‘Há Beira e Douro’, dedicado à viticultura, à enologia e aos nossos produtores e engarrafadores.
Neste evento que vamos levar a cabo, queremos valorizar a ação dos sapadores, dos apicultores, dos produtores pecuários e, de uma forma geral, os nossos empresários agrícolas. Neste âmbito, vai ter lugar o terceiro encontro dos tratoristas de Meda, porque essa gente também tem de ser valorizada e reconhecida. É neste ecossistema, nesta sinergia, na importância de todos funcionarem e estarem articulados, que permite termos produtos de excelência, como o vinho, o mel, o azeite, entre outros. Se valorizarmos os nossos produtores e os seus produtos criamos economia e com isso a possibilidade de fixação de pessoas nas nossas terras, nomeadamente os nossos jovens, e, por isso, é importante a valorização dos nossos produtos e dos nossos produtores.
Costumo dizer que não devemos ter vergonha de valorizar aquilo que somos e aquilo que temos. Somos uma terra de agricultores, que tem de inovar para ter outros setores, para ter um futuro mais risonho, mas nunca devemos descurar a importância máxima do setor primário. A nossa agricultura assenta em produtores e em gente que sabe valorizar a terra.
GR: A transformação é um processo importante em alguns produtos, como a amêndoa ou a castanha, para as mais valias fiquem no território?
CF: Todos os produtos são importantes. Os frutos secos têm, no panorama regional, uma importância muito grande. É o conjunto destes produtos que faz o crescimento da economia do nosso território. Eu não destaco um ou outro, pois valorizo-os a todos.
É claro que o impacto da vinha é diferente das outras, mas todas as culturas que assentam e que permitem a fixação das nossas gentes e a criação de riqueza devem ser valorizadas. ´
Podem ser valorizadas, do ponto de vista estatal, com medidas próximas do agricultor e da agricultura, mas também nas autarquias locais, neste caso do concelho de Meda, que permita a sua valorização e, através destes eventos, que quem nos visita tenha a possibilidade de usufruir daquilo que de melhor os nossos produtores têm para oferecer.
No sentido de reconhecermos o seu trabalho, ao longo de 365 dias, há prémios de participação, não do ponto de vista quem é o melhor ou pior, mas reconhecer que todos são importantes, pois só assim podemos fazer crescer o nosso concelho.
GR: A Feira do Mundo Rural tem um programa variado?
CF: Sim, assenta essencialmente na valorização do setor primário e conta com várias ações. Não podemos esquecer a importância da caça para o nosso território, com a continuidade do encontro das matilhas, da caça maior e menor. Aliás, tem uma importância maior, porque hoje são os caçadores que permitem a correção do javali, que está a ser nefasto para as nossas culturas. Além disso, a caça é uma forma de atrair pessoas ao nosso território, mas também de controlar predadores, que, neste momento, estão a criar situações difíceis aos nossos agricultores, por força dos prejuízos que provocam nas suas culturas.
Diria que é na caça, nos produtores pecuários, de vinho, de frutos secos, de todos sem exceção, que assenta a valorização do nosso território e na melhoria das condições de vida de quem cá vive.

