Mercado imobiliário deverá estabilizar em 2,4 mil milhões de euros, após 2025 ter fechado nos 2,7 mil milhões de euros, com yields estáveis
· Lisboa prevê uma absorção de 200.000 m² de escritórios em 2026; renda prime atinge 32€/m² na zona histórica e ribeirinha, superando o CBD tradicional
· Reconfiguração das rotas globais reforça o papel logístico atlântico de Portugal, registando-se uma disponibilidade inferior a 1% no Porto
· Retalho apresenta um crescimento real das vendas de 24% face a 2019
A CBRE, consultora líder mundial na prestação de serviços imobiliários, apresentou o Portugal Real Estate Outlook 2026, revelando que, após um ano de recuperação expressiva, o mercado imobiliário nacional entra numa fase de maturidade e consolidação, sustentado por fundamentos macroeconómicos estáveis e por um perfil risco-retorno que posiciona Portugal como um dos mercados mais defensivos da Europa.
ECONOMIA E INVESTIMENTO: PORTUGAL COMO “PORTO SEGURO”
O mercado de investimento comercial totalizou 2,7 mil milhões de euros em 2025, um crescimento de
17% em termos homólogos. Para 2026, a CBRE estima um volume de 2,4 mil milhões de euros, um valor
que, embora ligeiramente inferior, reflete a normalização da atividade, num contexto de estabilidade das
yields na maioria dos setores, contrastando com a volatilidade de outras economias.
A estrutura de capital evidencia também uma evolução relevante, na medida que, embora o investimento
estrangeiro se mantenha dominante, com cerca de 60% do volume, os investidores nacionais ganharam
uma quota de mercado significativa, associado à transferência de poupanças de depósitos a prazo para
fundos de investimento imobiliário.
José Maria Moutinho, Head of Research da CBRE Portugal, sublinha a posição competitiva do país,
afirmando que “Portugal apresenta hoje prémios de retorno particularmente competitivos. Enquanto outras
economias europeias enfrentam desafios de endividamento, nós seguimos uma trajetória de consolidação
orçamental, estabilidade macroeconómica e retornos imobiliários atrativos, reforçando o posicionamento
de Portugal como um mercado atrativo”. Já Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal,
destaca que “não antecipamos compressões significativas nas yields em 2026, pelo que continua a existir
uma boa janela de oportunidade para investir”.
ESCRITÓRIOS: QUALIDADE REDESENHA A GEOGRAFIA PRIME
Assistiu-se a um marco relevante no mercado de escritórios, pois, pela primeira vez, a renda prime de
Lisboa, fixada em 32€/m², não se registou no CBD tradicional (Avenida da Liberdade), mas na Zona
Histórica e Ribeirinha, refletindo a procura por edifícios reabilitados de elevada qualidade. Para 2026,
prevê-se que as rendas continuem a subir nas zonas de expansão e novas centralidades, como
Entrecampos, devido à entrada de produto de qualidade superior. O take-up deverá manter-se estável em
Lisboa (estimando um total de 200.000 m2 de absorção para 2026) e crescer ligeiramente no Porto, para
o qual se estima um total de cerca de 50.000m² de absorção para este novo ano.
“O mercado está claramente orientado para o flight to quality e nunca iniciamos um ano com um pipeline
de procura tão robusto. As empresas não estão a reduzir áreas devido ao teletrabalho; estão sim, a procurar
melhores edifícios, mais sustentáveis e preparados para novas formas de trabalhar, mesmo que isso
implique rendas mais elevadas” afirma André Almada, Offices Leasing Senior Director da CBRE
Portugal.
LOGÍSTICA: VANTAGEM GEOGRAFICA COM OFERTA ESCASSA
A reconfiguração das cadeias de abastecimento e a instabilidade no Mar Vermelho reforçaram a
importância estratégica da fachada atlântica, colocando Portugal como alternativa relevante nas rotas
europeias. Contudo, o setor continua condicionado por uma escassez estrutural de oferta. A taxa de
disponibilidade é inferior a 1% no Grande Porto e ronda 3% na Grande Lisboa, enquanto o take-up previsto
para 2026 deverá situar-se entre 380.000 e 400.000 m².
Nuno Torcato, Industrial & Logistics Leasing Director da CBRE Portugal, alerta que “Portugal está
em contraciclo com a Europa: enquanto noutros mercados a vacancy aumenta, aqui a escassez continua a
definir o mercado. A prova desta pressão é que mais de 85% dos projetos iniciados especulativamente nos
últimos anos foram arrendados ainda antes de a construção terminar. Para 2026, a palavra de ordem
continua a ser escassez de espaço no setor logístico”.
RETALHO: VENDAS REAIS SUPERAM INFLAÇÃO
O retalho vive um momento de ouro, impulsionado pelo turismo e pelo consumo interno. Em 2025, o
índice de vendas cresceu 43% face a 2019. Mesmo descontando a inflação acumulada desde 2019 até
2025 (19%), o setor regista um crescimento real, demonstrando a resiliência do consumo. As rendas prime
no comércio de rua continuam em ascensão, podendo atingir os 150-155€/m² na Rua Garrett (Chiado) em
2026, enquanto os Retail Parks se afirmam como o formato em maior expansão no país.
Carlos Récio, Head of Retail da CBRE Portugal, destaca que “os fundamentais do retalho nunca
estiveram tão fortes. O crescimento das vendas acima da inflação prova que o consumo físico está de boa
saúde e recomenda-se. Para 2026, vemos um dinamismo muito forte nos Retail Parks, com novos projetos
CBRE Press Release
de norte a sul, e uma pressão contínua no comércio de rua, onde a procura por lojas nas principais artérias
de Lisboa e Porto continua a superar largamente a oferta disponível”.
HOTELARIA E SETORES ALTERNATIVOS: QUALIFICAÇÃO E DIVERSIFICAÇÃO
O turismo mantém uma trajetória de crescimento qualificado, e os investimentos esperados para 2026
demonstram essa tendência. Uma parte significativa das apostas de investimento recairão novamente no
segmento de luxo e upscale, com vista a atrair turistas de maior valor acrescentado, nomeadamente do
mercado norte-americano. Paralelamente, os setores alternativos ganham peso.
Duarte Morais Santos, Hotels Director da CBRE Portugal, comenta que “para 2026, prevemos a
manutenção do interesse investidor, focado agora na qualificação do destino. O pipeline de investimento
que transitou de 2025 dá-nos confiança para um ano forte em transações hoteleiras”.
Manuel Valadas Albuquerque, Head of Agribusiness Southern Europe CBRE Iberia and Italy, conclui
que “Portugal está a afirmar-se em nichos de alto valor. Seja no Agribusiness, com o Alqueva a atrair
investimento institucional, ou nos Data Centers, onde a nossa conectividade e energias renováveis são
trunfos decisivos, e antevemos que 2026 seja um ano de diversificação do portefólio imobiliário nacional.”
Num contexto internacional marcado por incerteza geopolítica e ajustamentos económicos, o imobiliário
português evidencia capacidade para transformar volatilidade externa em oportunidade estratégica. A
aposta na qualidade, na sustentabilidade e na diversificação setorial está a consolidar um mercado mais
maduro, profundo e resiliente, que se afirma como plataforma de investimento de longo prazo.

