Estudo da UA mostra que antidepressivos reprogramam a personalidade dos peixes

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Um estudo liderado por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) revela que a exposição embrionária a um antidepressivo comum pode alterar de forma duradoura a personalidade de peixes-zebra, levantando preocupações sobre os impactos de fármacos no ambiente e na saúde.

Miguel Oliveira e Carla Melo, do CESAM e do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, em colaboração com investigadores do Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (IDAEA-CSIC) e do Institut Químic de Sarrià (Universitat Ramon Llull), publicaram, na revista científica Journal of Hazardous Materials, um estudo pioneiro que demonstra, pela primeira vez, que a exposição embrionária a níveis ambientais de um antidepressivo pode alterar de forma duradoura a personalidade de peixes-zebra.

O estudo analisou os efeitos da paroxetina, um antidepressivo amplamente usado no tratamento da depressão em humanos. Os resultados mostram que a exposição a este fármaco durante o desenvolvimento embrionário pode modificar traços de personalidade e a forma como os peixes lidam com o stress, com possíveis impactos na sobrevivência e adaptação das espécies.

Os investigadores verificaram que estas alterações persistem até à fase juvenil, indicando que comportamentos fundamentais podem ser reprogramados muito cedo na vida.

Como o peixe-zebra é um modelo amplamente utilizado em investigação biomédica, estes resultados levantam novas questões sobre os impactos de medicamentos neuroativos no ambiente e na saúde.

Os autores alertam que mudanças comportamentais individuais podem ter consequências em toda a população, afetando a capacidade das espécies de se adaptarem a ambientes em mudança. Além das prováveis implicações ecológicas, o estudo sugere também possíveis impactos na saúde humana, sobretudo em períodos sensíveis do desenvolvimento.