Feira de Atividades Económicas decorre até domingo e mostra “o que melhor se faz” em Aguiar da Beira, diz Virgilio Cunha

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Aguiar da Beira voltou a abrir as portas da sua Feira de Atividades Económicas (FAE), num fim de semana marcado pelo reencontro das gentes da terra, pela celebração do trabalho comunitário e pela afirmação de um concelho que, apesar dos desafios, continua a crescer, a inovar e a resistir. Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal, Virgílio Cunha, traçou um retrato vivo da força económica, social e cultural do território, sublinhando a resiliência das populações e a diversidade produtiva que sustenta o concelho.

Logo no início da intervenção, o autarca saudou o Secretário de Estado das Florestas, agradecendo a presença e reconhecendo o conhecimento profundo que o governante tem do mundo rural: “Sei que se movimenta muito bem nestas águas, conheço muito bem este mundo rural” . A saudação estendeu-se ao presidente da Assembleia Municipal e, sobretudo, aos aguiarenses, que o autarca descreveu como comunidade trabalhadora, dinâmica e resiliente.

A FAE, que cumpre a sua 23.ª edição, é apresentada como um espaço aberto e emblemático, onde se mostra “o que melhor se faz na nossa terra” . O tecido produtivo local revela uma diversidade rara: agricultura, florestas, pecuária, agroindústria, restauração, turismo, comércio, associações e serviços convivem num território que, segundo o autarca, apresenta pleno emprego e equilíbrio social. Para sustentar esta afirmação, Virgílio Cunha destacou números que muitas vezes passam despercebidos: 500 empresários em nome individual, 260 sociedades, e um crescimento contínuo do rendimento das famílias.

O setor primário ocupa lugar central no discurso, refletindo a identidade rural de Aguiar da Beira. A produção agrícola e pecuária apresenta indicadores expressivos: 17 milhões de frangos por ano, distribuídos por 124 pavilhões, e 90 milhões de ovos anuais, com modos de produção que vão do biológico ao ar livre . A apicultura também marca presença, com 62 apicultores e mais de 25 toneladas de mel produzidas anualmente. A castanha, os frutos vermelhos, o olival e outros produtos endógenos reforçam a ligação à terra e atraem novas gerações para modelos de exploração mais competitivos e sustentáveis.

A indústria alimentar local, com empresas de enchidos, recolha de leite e produção de queijo, representa mais de 250 empregos diretos, enquanto a construção civil continua a ser um termómetro da economia rural. A gastronomia, baseada em produtos endógenos, mantém elevada reputação regional e contribui para o crescimento do turismo, acompanhado pelo aumento das dormidas em alojamentos locais.

No campo cultural e patrimonial, o município tem investido na recuperação e valorização dos seus recursos arqueológicos e históricos. O Dólmen de Carapito já foi recuperado, e outros dois monumentos megalíticos estão em processo de intervenção, com o objetivo de criar um Centro Interpretativo do Megalitismo. A requalificação das encostas do Castelo, que incluirá um miradouro sobre o concelho, promete tornar-se ponto de referência para visitantes e orgulho para a população.

O turismo de natureza é outra aposta estratégica. A modalidade de orientação, que trouxe a Aguiar da Beira mil atletas de 37 países em 2022, já garantiu ao concelho a organização do Campeonato da Europa de Seniores e da Taça do Mundo de Orientação em 2028 . As associações desportivas locais, com centenas de atletas, reforçam a dinâmica comunitária e ocupam o tempo livre de jovens e seniores.

Virgílio Cunha destacou ainda o impacto dos investimentos públicos, que ultrapassam 20 milhões de euros em obras distribuídas por habitação, saúde, educação, desporto, regeneração urbana, proteção civil e saneamento. Só na sede do concelho, estão em execução 17 milhões de euros em projetos, incluindo a recuperação do Centro de Saúde, a requalificação da Escola Padre José Augusto da Fonseca e a valorização paisagística do Castelo.

O autarca não deixou de abordar a ferida aberta pelos incêndios de 2025, que destruíram 6.350 hectares de floresta adulta. “Os proprietários perderam muito dinheiro na desvalorização dos produtos, nomeadamente na madeira queimada” . Agradeceu a solidariedade do Governo e apelou à necessidade de apoios para evitar que as áreas ardidas se transformem em zonas de risco futuro, defendendo subsídios semelhantes aos da agricultura para garantir a limpeza e manutenção das florestas.

A Feira de Atividades Económicas, concluiu, é mais do que um evento: é um espaço de convívio, cultura e identidade, onde se reencontram famílias, imigrantes de regresso e visitantes. Um certame que ultrapassa as fronteiras do concelho e se afirma como um dos maiores da região, refletindo o compromisso de Aguiar da Beira com o desenvolvimento, a coesão territorial e a valorização das suas gentes.

Secretário de Estado das Florestas destacou “diversidade produtiva” de Aguiar da Beira no setor primário

A abertura da 23.ª Feira de Atividades Económicas de Aguiar da Beira ficou marcada pela intervenção do Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que regressou ao concelho onde iniciou parte da sua vida profissional. Num discurso emotivo e profundamente ligado ao território, o governante destacou a força económica, agrícola e social de Aguiar da Beira, bem como os desafios que a região enfrenta após os incêndios de 2025.

Rui Ladeira começou por agradecer o convite do presidente da Câmara, Virgílio Cunha, sublinhando o orgulho de voltar a uma terra onde conviveu com muitas das pessoas presentes: “ter a oportunidade de vir aqui hoje é um motivo de grande satisfação e orgulho” . Saudou autarcas, deputados, empresários, produtores e instituições, reconhecendo o papel de cada um na vitalidade do concelho.

O governante destacou a diversidade produtiva local, desde os frutos vermelhos, castanha, olival e pecuária às indústrias transformadoras, afirmando que não tinha plena noção da força agrícola do concelho até visitar as unidades locais: “eu não tinha ideia da força que o Conselho tem na agricultura, mas também na produção do ovo” . Sublinhou ainda a importância da imigração controlada para suprir a falta de mão de obra e manter o dinamismo económico.

O turismo foi apontado como uma das grandes janelas de oportunidade, com destaque para o megalitismo e para a classificação do Dólmen de Carapito, que integra o conjunto de monumentos candidatos a património mundial da UNESCO. Rui Ladeira reforçou que esta diferenciação é essencial para atrair visitantes e valorizar a região.

Sobre os incêndios que devastaram mais de 6 mil hectares, o secretário de Estado reconheceu o impacto profundo na economia local e explicou as medidas já implementadas pelo Governo, incluindo apoios informais até 10 mil euros, projetos de apicultura, jovens agricultores e modernização ambiental. Referiu que, só em 2025, Aguiar da Beira recebeu mais de 1 milhão de euros em apoios ao agricultor, segundo dados do IFAP: “mais de 1 milhão de euros de apoio ao agricultor, à sua atividade” .

Rui Ladeira anunciou ainda a entrega de dois tratores equipados ao município e às associações florestais locais, reforçando a capacidade de limpeza e gestão das faixas de proteção. Explicou também as novas medidas de apoio à regeneração natural e às plantações, com dotações superiores a 50 milhões de euros, bem como incentivos ao pastoreio e à gestão sustentável do mato.