Festa da Castanha de Sernancelhe aposta na regeneração e na projeção internacional de 23 a 25 de outubro

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O Exposalão, em Sernancelhe, recebe mais uma edição da Festa da Castanha, de 23 a 25 de outubro, evento que este ano aposta na regeneração, após os incêndios que assolaram a região em 2025, e na projeção internacional. Armando Mateus, vereador da Câmara de Sernancelhe, à Gazeta Rural, explica as principais novidades do certame, numa edição marcada pela recuperação, após os incêndios do ano passado, pela valorização dos jovens produtores, pela criação de um souto comunitário e por uma participação internacional reforçada.

Gazeta Rural (GR): O que distingue a edição de 2026 da Festa da Castanha?
Armando Mateus (AM):
Esta edição nasce muito marcada pelos incêndios do ano passado, uma fatalidade que deixou a região profundamente abalada. No entanto, não pretendemos centrar a festa na recordação desse episódio. Queremos transmitir uma imagem de regeneração, inspirada no próprio comportamento dos castanheiros ao longo do último ano. Apesar de se ter temido uma destruição total da Denominação de Origem Protegida dos Soutos da Lapa, muitos castanheiros conseguiram recuperar a folhagem e voltar a preparar-se para produzir fruto. A produção será bastante mais reduzida e a recuperação total exigirá alguns anos, mas esta capacidade de regeneração deixou-nos um ensinamento sobre resiliência. É esse o propósito central da Festa da Castanha 2026.

GR: De que forma os produtores de castanha estarão em destaque?
AM:
Queremos dar um destaque ainda mais forte e especial aos produtores, sobretudo a uma nova geração de jovens que está a apostar na cultura do castanheiro. Muitos não se limitaram a manter explorações herdadas ou transferidas no seio familiar, pois têm aumentado as áreas de produção e reforçado a aposta na castanha da variedade Martaínha. No centro do certame haverá um espaço inteiramente dedicado a estes produtores. Em vez de estarem dispersos pelas centenas de expositores, ficarão reunidos numa zona central, mostrando a força, a juventude e a capacidade de renovação do setor. A intenção é transmitir uma mensagem positiva e assegurar a continuidade desta grande marca ‘Sernancelhe, a Terra da Castanha’.

GR: A festa terá também uma dimensão internacional?
AM:
Sim. Além da habitual comitiva de autarcas e representantes de várias regiões do país, este ano receberemos parceiros internacionais ligados a geminações e a projetos comuns. Estão previstas comitivas da Ilha do Maio, em Cabo Verde, de França, da Suíça e de Espanha. Queremos dar ao certame uma amplitude e uma projeção mais internacionais, sem perder a identidade construída ao longo de décadas. A castanha Martaínha continuará a ser a rainha da festa, acompanhada por uma animação simples, popular e tradicional, com boa gastronomia, vinho, música e momentos para viver em família.

GR: Que balanço faz da campanha solidária lançada na edição anterior, após os incêndios?
AM:
A campanha produziu um primeiro resultado concreto, com a decisão do município de criar um souto comunitário. Entendemos que esta seria uma forma exemplar de materializar o mote da regeneração, da inovação e da aposta no setor. Em parceria com as juntas de freguesia e com as associações responsáveis pelos baldios, foi disponibilizada uma área para instalar esse souto.

GR: Em que ponto está esse projeto?
AM:
Estamos a criar os primeiros oito hectares de souto comunitário. Os castanheiros plantados resultam da campanha solidária. No Dia Mundial da Árvore, a comunidade escolar participou numa ação que permitiu plantar aproximadamente metade da área. A parte restante será completada com uma iniciativa associada ao passeio de BTT.

GR: Como será feita a nova plantação?
AM:
Os próprios ciclistas que, no ano passado, lançaram castanhas à terra e ajudaram a criar um viveiro voltarão a participar. Alguns exemplares virão desse viveiro e outros serão adquiridos com o valor angariado na campanha. A plantação está prevista para 25 de outubro, no souto comunitário, integrada no passeio de BTT.

GR: O passeio de BTT continua a ter uma forte adesão?
AM:
Sim. Ultrapassamos habitualmente as duas mil inscrições e, este ano, estamos novamente muito perto desse número. As inscrições encerram na próxima semana e o passeio está limitado a cerca de dois mil participantes. É a capacidade máxima que nos permite assegurar boas condições a todos os envolvidos e garantir uma experiência satisfatória. Mais uma vez, estamos muito próximos de atingir esse limite. O percurso atravessa o coração da maior mancha de castanha da variedade Martaínha, o que lhe confere uma identidade muito própria.

GR: O que torna este passeio tão particular?
AM:
O trajeto passa por vários pontos históricos e por património edificado, onde se realizam atividades culturais, gastronómicas e de lazer. Essa combinação torna o passeio único e genuíno. Para além dos participantes, recebemos familiares, equipas de apoio, amigos e acompanhantes, o que mobiliza muitos milhares de pessoas. Algumas regressam todos os anos e outras visitam-nos pela primeira vez. É uma satisfação acolher pessoas vindas de todo o país e também do estrangeiro.