O anúncio da construção da Barragem de Girabolhos representa um momento decisivo para o concelho de Gouveia e para toda a região do Interior. Após mais de uma década de indefinições, este projeto surge finalmente como uma oportunidade concreta de desenvolvimento que o Presidente da Câmara de Gouveia, Jorge Ferreira, encara com clareza, ambição e sentido de futuro, sem nunca perder de vista aquilo que são as legítimas expectativas e necessidades do território.
Embora a infraestrutura não se localize fisicamente no concelho de Gouveia, é neste território que se situará uma parte significativa da bacia hidrográfica associada à albufeira, o que faz de Gouveia uma parte diretamente interessada neste projeto e impõe a sua auscultação efetiva ao longo de todo o processo. Reconhecendo a importância estratégica da barragem para o país,
nomeadamente na regularização das cheias no Baixo Mondego e na gestão mais eficiente dos ciclos de seca, imperativos nacionais que não podem ser ignorados, o Presidente da Câmara de Gouveia manifesta um posicionamento naturalmente favorável à sua concretização.
A Barragem de Girabolhos constitui também um contributo relevante para o conjunto do território nacional, em particular na mitigação dos efeitos das enxurradas a jusante e na gestão sustentável dos recursos hídricos. O Presidente da Câmara entende essa responsabilidade, sublinhando, no entanto, que essa solidariedade deve ser acompanhada por benefícios claros, justos e duradouros para o território que acolhe uma parte substancial dos impactos do projeto.
Importa sublinhar que a Barragem de Girabolhos não é, para Gouveia, apenas uma infraestrutura hidráulica. Ela representa, antes de mais, uma oportunidade estruturante de desenvolvimento. A garantia de disponibilidade de água é essencial para a modernização e expansão da atividade agrícola, permitindo atrair investimento, valorizar os produtores locais e
assegurar um futuro sustentável para o mundo rural. Sem água, não há agricultura competitiva nem capacidade de fixação de população no território.
A criação da albufeira abre igualmente perspetivas relevantes ao nível do turismo e da economia local, possibilitando a valorização das zonas fluviais, o desenvolvimento de atividades de lazer e de desportos náuticos e a criação de um novo eixo de turismo de natureza, complementar à Serra da Estrela, com potencial para gerar emprego e dinamizar a economia local de forma
sustentável.
Este projeto deve ainda ser encarado como um catalisador para a melhoria das acessibilidades ao concelho. A concretização da barragem tem de ser acompanhada por investimentos rodoviários que garantam uma ligação eficaz a Mangualde e, por essa via, um acesso mais eficiente à A25, contribuindo para reduzir o isolamento histórico de Gouveia e aproximar o
concelho dos principais eixos de circulação e dos centros de decisão económica.
É precisamente pela dimensão das oportunidades que encerra que a concretização da Barragem de Girabolhos deve ser acompanhada por compromissos claros, concretos e calendarizados por parte do Estado Central. Um projeto desta escala tem de contribuir para a resolução de constrangimentos estruturais que há décadas condicionam o desenvolvimento do território. A
valorização do recurso água deve refletir-se numa maior justiça tarifária para as populações locais, garantindo que quem acolhe e protege este recurso estratégico beneficia de condições mais equilibradas. Do mesmo modo, num território de montanha sujeito a invernos rigorosos, a exploração deste potencial energético deve traduzir-se em benefícios concretos para famílias e
empresas, reforçando a competitividade local. Por fim, a melhoria das acessibilidades rodoviárias deve integrar de forma natural este investimento, permitindo fechar eixos estruturantes e reforçar a ligação de Gouveia aos principais corredores nacionais.
É impossível ignorar que este projeto chega com cerca de dez anos de atraso, fruto de uma decisão política que o remeteu para a gaveta e travou uma oportunidade que poderia já estar a produzir resultados no desenvolvimento agrícola, turístico e económico do concelho. Esse tempo perdido teve custos reais para Gouveia e para o Interior.
Por isso, este é também o momento de assumir uma posição política clara e responsável. A Barragem de Girabolhos deve ser encarada como uma oportunidade que, apesar de tardia, pode ainda marcar um novo ciclo de desenvolvimento para Gouveia.
O Presidente da Câmara de Gouveia quer estar ao lado das soluções, ao lado do investimento e ao lado de uma política pública que acredita no Interior e não desiste dele. A Barragem de Girabolhos tem de ser um ponto de viragem e o início de um compromisso sério e duradouro com o futuro do território

Município de Gouveia saúda avanço da Barragem de Girabolhos e exige contrapartidas para o território
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