O WOOL | Covilhã Arte Urbana celebra 15 anos e regressa para mais uma edição em que o espaço público se assume como palco de criação e laboratório de experimentação e aprendizagem, onde as mais diversas linguagens artísticas se cruzam para estimular a reflexão e convocam a diálogos interculturais. Pintura mural, instalações, exposições, música, cinema, workshops, conversa e muito mais, compõem uma programação ambiciosa onde o envolvimento e participação da comunidade é central para a construção de um território de esperança.
A 13.ª edição do mais antigo festival de Arte Urbana em Portugal (e um dos mais antigos do mundo), que em 2026 celebra 15 anos de actuação, conta novamente com uma programação multidisciplinar, de intensa criação e ocupação do espaço público, ambicionando continuar a assumir-se como exemplo de transformação do território e da comunidade através da Arte e da Cultura, dando continuidade à sua missão fundacional de descentralização cultural, de inclusão e coesão social e territorial.
O principal bloco programático do festival continua a ser a criação de pinturas murais e instalações artísticas, acção que prevalece no tempo e constitui o Roteiro de Arte Urbana WOOL, que é hoje uma das marcas mais relevantes e autênticas da cidade. Afirmando-se, ano após ano, como um ponto de encontro do mundo, nesta edição, o WOOL traz novamente à Covilhã artistas visuais e muralistas contemporâneos de elevada qualidade e reconhecimento internacional, oriundos de várias partes do planeta.
Da África do Sul, Ben Johnston irá pintar um mural de grande dimensão na parte baixa da Covilhã, naquela que é a primeira incursão do WOOL para esta zona da cidade. De Itália, Tellas irá plasmar a sua estética abstracta influenciada pela “paisagem e pelos ritmos da natureza” no edifício da APAE — Associação de Antigos Professores, Alunos e Empregados da Escola Campos Melo, situado no ponto mais central da Covilhã. Do Canadá, o colectivo canadiano Nasarimba fará uma intervenção, já durante o mês de maio, no âmbito de um programa financiado pelo Calgary Arts Development (Canadá) para realização de uma tour europeia com paragens em Berlim, Milão e Covilhã,
A representação portuguesa ficará a cargo do Projeto Ruído, que regressam ao WOOL para fazer um mural alusivo aos 100 anos do Orfeão da Covilhã (1926-2026), e de Mariana, a miserável, que irá criar 10 painéis de azulejo inspirados na identidade local, a ser instalados em vários locais do Centro Histórico da Covilhã.
No que se refere às instalações artísticas, o WOOL 2026 recebe o colectivo espanhol Penique, que criará uma instalação habitável de grande dimensão num lugar inusitado que revelaremos em breve, e Addam Yekutieli conhecido pelo pseudónimo Know Hope, artista e activista nascido nos Estados Unidos a residir em Israel-Palestina, que cria projectos de prática social, instalações imersivas e obras de arte públicas.
Na música, a programação faz-se de residências artísticas, concertos e mini-concertos, momentos espalhados novamente por vários locais da cidade. Em residência artística, Noiserv junta-se ao Conservatório de Música da Covilhã para um encontro especial cujos resultados serão apresentados na noite de 19 de junho. O já costumeiro concerto de sábado à noite (20 de junho) ficará a cargo dos Unsafe Space Garden, banda vimaranense de rock alternativo e inclassificável que promete uma das noites mais energizantes do WOOL 2026.
Como já é costume desde 2024, os mini-concertos voltam a ser palco do talento local e regional em três fins de tarde (16, 17 e 18 de junho) como forma de activar os murais em execução, levando a população a presenciar de perto o processo criativo dos artistas e a descobrir “novos” e inusitados lugares da cidade.
A comunidade no centro da construção colectiva do WOOL
À data da sua fundação, o WOOL ambicionava “envolver a comunidade em todas as intervenções e acções” cientes de que esta participação activa, mesmo que ocorrendo a diversas intensidades, seria chave para um entendimento de construção colectiva e sentimento de pertença, essencial para gerar a transformação social, cultural e cívica que ambicionávamos.
Volvidos 15 anos e fruto das experiências tidas em edições anteriores e, principalmente, dos testemunhos de diversos intervenientes que atestam o impacto transformador e agregador das acções que promovem a participação e envolvimento comunitário, o WOOL 2026 desenha a sua programação reforçando estas dimensões, contextualizando-a e dando simultaneamente resposta aos tempos sombrios — de conflitos, violência e uma crescente indiferença e individualidade – que navegamos hoje enquanto sociedade local e global.
Nas palavras de LaraSeixoRodrigues, directora artística da Mistaker Maker | Plataforma de Intervenção Artística e responsável pela organização do WOOL: “Somos crentes de que a Arte e a Cultura são a primeira linha de defesa democrática e a fonte do espírito comunitário, da imaginação e da resiliência de que as nossas sociedades necessitam. De que a nossa comunidade necessita. Mais do que nunca, ambicionamos afirmar o WOOL como um projecto e manifesto artístico colectivo, cientes de que quando nos juntamos em torno de uma construção comum, nos (re)conhecemos, nos aproximamos e podemos imaginar espaços comuns, podemos sonhar novos futuros, verdadeiros territórios de esperança, mais inclusivos, mais coesos, mais sustentáveis e com mais amor.”
Neste sentido, a 13ª edição do WOOL contará com três acções artísticas comunitárias:
– “A Nossa Casa”, já a decorrer e que terminará em junho, convoca toda a comunidade da Covilhã (e mais além) a participar na criação colectiva – com pequenos quadrados ou rectângulos de crochet, tricot ou outras técnicas – de uma peça de grande dimensão que irá cobrir uma casa do centro histórico da cidade da Covilhã e integrar o Roteiro de Arte WOOL. Esta super-manta (e o acto de cobrir uma casa) convoca simbolicamente ao cuidado com todas as casas, com a casa-rua, com a casa-cidade, com o casa-planeta, que é verdadeiramente “A Nossa Casa”. (mais informações da acção no website e redes sociais)
– “Marcha pela Esperança”, orientada pelo artista Mantraste e que sairá à rua na tarde do dia 19 de junho, será o resultado de uma série de oficinas junto de alunos do 1º e 2º ciclos de escolas do concelho da Covilhã que irão expressar os seus anseios e preocupações sobre o futuro, reivindicando a tão necessária esperança em tempos sombrios.
– “WOOL Circular”, no alinhamento de uma acção realizada no fim da edição de 2025, que resultou na reutilização das lonas publicitárias do WOOL para produção de equipamento e peças de merchandising, sob orientação da artista Madalena Martins e produção a cargo de um conjunto de reclusos do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. Neste pós-edição, as lonas serão entregues à UBI para a co-criação de instalação no âmbito do projecto internacional “Eurotales: Less waste connecting identities”, desenvolvido pela Faculdade de Artes e Letras e os centros de investigação iA* Unidade de Investigação em Artes e CiAUD Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design, em parceria com HEAR – Haute école des arts du Rhin, (Strasbourg-Mulhouse, França), UVT – University of West Timisoara Faculty of Arts and Design (Roménia), Beaux-Arts de Nantes (França) e Brera Academy of Fine Arts (Milão, Itália).
No revisitar desta já longa caminha, o WOOL assume como obrigatório o regresso à Covilhã do projecto pioneiro LATA 65 | workshop de Arte Urbana para idosos, para duas tardes de muita aprendizagem sobre a história do graffiti e da arte urbana e ainda mais experimentação de inúmeras técnicas de trabalho de rua, que culminam num mural participativo no centro da Covilhã. Tudo exclusivo a maiores de 65 anos.
Sucesso de convívio e comunhão em 2025, o Almoço Comunitário regressa este ano, precedido da Corrida WOOL, uma novidade na programação que pretende juntar o desporto à visitação e conhecimento do Roteiro de Arte WOOL e da cidade.
Ainda em matéria de “novidades comunitárias”, o Correio WOOL será uma actividade em permanência no Quartel-General WOOL, onde convidamos todos a enviarem um postal WOOL aos seus entes queridos como forma de conexão e aproximação.
É fundamental ainda mencionar as obrigatórias visitas guiadas peloRoteiro de Arte WOOL, que este ano acontecem em dois momentos: a 14 de junho, às 10h30, a pé, e a 21 de junho, às 17h30, a pé com intérprete de Língua Gestual Portuguesa. Há ainda espaço para uma visita guiada em carro eléctrico para pessoas com mobilidade condicionada, no dia 17 de junho às 15h00.
Como forma de revisitar e dinamizar entidades e espaços que acompanharam o WOOL desde o início, existem ainda outras visitas a museus e espaços da cidade integradas na programação do festival. O Museu de Lanifícios organiza um percurso pela Ribeira da Goldra no dia 19 de junho às 10h, o New Hand Lab promove uma visita guiada ao seu espaço no dia 20 de junho às 14h30 e o Museu da Covilhã organiza também uma visita guiada no dia 20 de junho.
Uma programação sem fim
Outra das novidades na edição dos 15 anos de WOOL é a literatura. Durante os 11 dias de festival, o jovem escritor beirão Bernardo Fortuna acompanhará todos os momentos do evento como matéria-prima fundamental para a sua residência de literatura. Inteiramente livre para explorar os temas e pessoas que quiser, o resultado literário desta residência será publicado e apresentado na edição de 2027.
Na programação relativa ao pensamento, as WOOL TALKS, que se apresentam como um formato sempre ampliador de partilha de conhecimentos e de experiências e de debate sobre todas as dimensões que compreendem a criação artística em espaço público, o destaque vai para a presença do investigador, instigador, conversador e sempre inspirador Hugo Cruz, que fará uma apresentação sob a temática “Mais do que nunca a ficção colectiva – arte e participação num mundo fragmentado”, seguida de conversa com a também sempre inspiradora Maria Vlachou, consultora em gestão e comunicação cultural e directora executiva da Acesso Cultura.
A acção de capacitação desta edição 2026 do WOOL fica também a cargo de Hugo Cruz que orientará uma oficina (gratuita) intitulada “Práticas Artísticas e Participação”, destinada a profissionais e estudantes das áreas das artes, ciências sociais e humanas, particularmente da educação, saúde, decisores políticos e técnicos de autarquias.
No cinema, o WOOL será palco da estreia nacional do documentário “Know Hope: the abstract and the very real”, da autoria de Omer Shamir sobre o trajecto pessoal e artístico de Addam Yekutieli. Sendo um dos artistas presentes nesta edição do festival, a projecção do filme, que não deixará ninguém indiferente, será seguida de um momento de Q&A, moderado pelo jornalista Luís Octávio Costa (também reconhecido por Kitato). Ainda no cinema, e como forma de revisitação de um marco nos 15 anos de história do WOOL, será exibido o filme documental “Subimos Junt_s?” que, depois de circular por vários festivais e ter sido distinguido várias vezes, regressa à Covilhã para um visionamento colectivo.
Ainda nesta edição, serão cinco as propostas de exposições para visitar. Três delas serão dedicadas à fotografia – património arquitectónico industrial e de distintos diálogos entre passado e presente –, outra será um revisitar da sempre dinâmica identidade visual do WOOL. Além destas, a já habitual exposição permanente do WOOL no premiado Museu da Covilhã, que mostra o trabalho de acessibilidade e inclusão que foi motor e resultado do projeto WOOL + | Arte Urbana mais acessível.
Depois do sucesso da edição passada, o Quiz WOOL regressa este ano com mais 120 perguntas sobre Arte Urbana, Covilhã, WOOL, os artistas que nos acompanham e a colectividade histórica da Covilhã que este ano se activa – o Ginásio Clube da Covilhã, que celebra 113 anos em 2026.
Algo de especial e memorável nos 15 anos de WOOL
Como forma de assinalar a caminhada de década e meia do WOOL | Covilhã Arte Urbana, revisitando a memória colectiva da cidade e do projecto, honrando o passado e projectando ideias de futuro, a organização está a preparar uma iniciativa especial para esta edição, que promete ficar na memória da cidade por muito tempo.
Mais informações em breve.
O programa completo e as actualizações sobre o evento poderão ser acompanhadas através do site oficial ou das plataformas digitais do WOOL.
A edição 2026 do WOOL | Covilhã Arte Urbana conta com o apoio do Turismo de Portugal / Turismo Centro Portugal – incentivo Portugal Events, da Câmara Municipal da Covilhã, do BPI | Fundação “la Caixa”, da Embaixada de Espanha em Portugal e dos mecenas Farmácia Covilhã, REN – Redes Energéticas Nacionais, União de Freguesias de Covilhã e Canhoso e J. Gomes. Conta ainda com o patrocínio das Tintas CIN e de um conjunto largo de outras empresas nacionais e locais. (conferir restantes apoios / parceiros abaixo ou em www.woolfest.org)

