Portugal acelera nas patentes, mantendo-se o desafio da competitividade europeia

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6.ª edição do Barómetro Inventa revela crescimento sustentado, nova liderança universitária e desafios estruturais na inovação nacional

A Inventa, consultora especializada em Propriedade Intelectual, lança a 6.ª edição do Barómetro Inventa – Patentes Made in Portugal. O estudo revela que Portugal mais do que duplicou os pedidos de patente no Instituto Europeu de Patentes na última década, de 145 (2015) para 347 (2024), um crescimento de 139%. No entanto, continua a um décimo do ritmo da Alemanha no novo Índice de Patenteabilidade (3,3 vs. 30,0 por 100 mil habitantes).

Para esta edição, a Inventa aplicou o Índice de Patenteabilidade, que relaciona pedidos de patente com população, permitindo comparar Portugal com outras economias de dimensão semelhante. O resultado confirma que o sistema nacional atravessa uma fase de consolidação e maturidade crescente, mas alerta: o desafio deixou de ser apenas crescer em número de pedidos, é transformar conhecimento em impacto económico à escala internacional.

“Portugal amadureceu o seu sistema de propriedade intelectual, mas ainda não converteu esse progresso em escala comparável às economias mais inovadoras da Europa. O crescimento é positivo, mas precisamos de maior densidade empresarial e mais capacidade de internacionalização” afirma Vítor Sérgio Moreira, Coordenador de Patentes na Inventa.

Universidade de Aveiro assume liderança

A edição de 2026 revela uma mudança no topo do ranking nacional:

A Universidade de Aveiro conquista o 1.º lugar em famílias de patentes, ultrapassando a Universidade do Minho, que liderava na edição anterior.

O Top 3 nacional de 2023 em famílias de patentes: a Universidade de Aveiro (42), a Universidade de Lisboa (37) e a Universidade do Porto (36).

A liderança continua fortemente concentrada no meio académico, evidenciando o papel central das universidades no ecossistema nacional de inovação.

Crescimento com assimetrias

Apesar da evolução positiva, o Barómetro identifica desequilíbrios estruturais relevantes:

–Concentração territorial (pedidos apresentados em Portugal, junto do INPI): Norte (323 pedidos), Centro (191) e Área Metropolitana de Lisboa (162); interior do país com expressão residual. Observa-se um padrão semelhante nos pedidos de patente europeia (apresentados junto do EPO): a maioria tem origem na região Norte, seguida da região Centro e AML.
–Índice de patenteabilidade: Portugal evidencia um desempenho competitivo quando comparado com países como a Lituânia ou a Polónia, mas ainda distante das principais economias europeias e mundiais.
–Distância em relação às grandes economias: Alemanha (30,0, ou seja, 30 pedidos por cada 100 000 habitantes), França (16,0), Reino Unido (8,8). Portugal situa-se nos 3.3. 
 
Internacionalização deixou de ser opcional

Para os requerentes portugueses, a internacionalização tornou-se estratégica, apresenta o estudo. Os EUA e Europa concentram mais de metade dos depósitos internacionais, com crescente diversificação para China, Brasil, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Índia e Austrália. Entre 2013 e 2023, Portugal registou 2.327 pedidos no Instituto Europeu de Patentes (EPO), com crescimento acelerado nos últimos anos, de 94 para 332 pedidos no período, culminando nos 347 pedidos de 2024.

“A internacionalização deixou de ser opcional. É condição essencial para competir num mercado tecnológico global” sublinha o estudo.

Case study

O Barómetro inclui, este ano, o caso da CleoCare, startup portuguesa que desenvolveu a SenseGlove, uma luva sensorizada com inteligência artificial para autoexame mamário. A empresa protege as suas invenções através do sistema PCT (Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes) nos EUA, Israel, Canadá, Brasil e Europa, demonstrando uma abordagem global desde a fase inicial.
 
Três desafios para a próxima década

A 6ª edição do Barómetro Inventa conclui que Portugal está a evoluir no sistema de patentes, mas enfrenta três desafios centrais:

  1. Escalar inovação para níveis europeus
  2. Reduzir assimetrias territoriais
  3. Converter conhecimento académico em impacto empresarial sustentável

O estudo recomenda reforço do investimento em I&D, promoção da literacia em propriedade industrial e simplificação do acesso a instrumentos de inovação.

“A Inventa acompanha empresas, universidades e inventores na estratégia de proteção internacional de inovação, contribuindo para que Portugal transforme conhecimento em vantagem competitiva real” conclui Vítor Sérgio Moreira, Coordenador de Patentes e coautor do Barómetro Inventa – Patentes Made in Portugal.