O projeto piloto de recolha porta-a-porta de biorresíduos alimentares em restaurantes, cafés, cantinas escolares e habitações no concelho de Tondela vai para o terreno nos primeiros seis meses do ano, permitindo que cerca de 200 toneladas de resíduos sejam desviados de aterro.
O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (16 de janeiro) pela presidente da Câmara de Tondela, Carla Antunes Borges, na sessão pública de apresentação do projeto “Sou resto mais ainda presto”, que junta o município e a Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB). A cerimónia decorreu no Mercado Velho de Tondela, contando com a presença de vários autarcas locais.
“Este é um projeto que vai mudar o paradigma da recolha e seleção dos resíduos”, afirmou a autarca, esperando que o “Sou resto mais ainda presto” “seja iniciado até ao final do primeiro semestre de 2025”.
“É um projeto que pretende levar à recolha de biorresíduos alimentares domésticos e não domésticos porta-a-porta. No caso de Tondela, serão considerados 50 produtores não domésticos, desde cafés, restaurantes, cantinas escolares, entre outros, e 129 produtores domésticos”, explicou.
Todos eles irão receber um novo contentor de cor castanha. A adesão ao serviço é totalmente gratuita para os utilizadores.
Nesta fase inicial, o “Sou resto mais ainda presto” será implementado nas áreas com maior densidade populacional, tendo sido escolhidos três zonas: a Quinta da Ínsua (49 casas), a Quinta do Espinheiro (35), a Urbanização Bela Vista e a Rua Frei Bernardo Castelo Branco (45).
“Nas zonas mais rurais há já uma prática ancestral de tratamento de biorresíduos, então temos de fazer uma aposta nas áreas onde a produção está mais concentrada, mas também onde a incapacidade das populações no tratamento destes resíduos é mais incipiente e onde é necessário dar uma resposta mais próxima, assertiva e energética”, justificou Carla Antunes Borges, referindo que a sustentabilidade da operação e do sistema foi outro dos critérios levados em conta na seleção dos primeiros utilizadores deste novo serviço.
“Entendemos que a implementação deste projeto, que está alinhado com as regras exigentes do Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU) 2030, é fundamental acima de tudo porque vai melhorar a qualidade de vida das nossas populações e garantir a sustentabilidade do nosso território”, defendeu.
Além da oferta dos contentores, o projeto será acompanhado de ações de sensibilização junto dos utilizadores e da comunidade em geral e de uma campanha de comunicação por forma a incentivar a separação dos biorresíduos alimentares. Estas ações vão ser desenvolvidas com o apoio do Fundo Ambiental que aprovou recentemente uma candidatura apresentada pelo Município de Tondela.
Planalto Beirão responsável pela recolha
A recolha dos biorresíduos de alimentos estará a cargo da AMRPB. Os caixotes dos produtores domésticos serão despejados três vezes por semana e os dos não domésticos duas. Cada utilizador terá de deixar à porta o seu contentor nos dias em que haverá recolha.
A expectativa é que no primeiro ano de funcionamento sejam realizadas no concelho tondelense 21.216 recolhas, permitindo retirar de aterro 184 toneladas de restos de alimentos.
Os contentores terão uma nova tecnologia que permitirá aferir ao minuto como está a decorrer este projeto.
“A adesão dos utilizadores é fundamental para o sucesso de todas estas ações”, disse José Portela, secretário-executivo da AMRPB, sublinhando que sem adesão estar-se-á a “desperdiçar recursos”.
“Tondela é o único município do Planalto Beirão que tem três áreas distintas nos domésticos, os outros municípios terão uma ou duas, mas em Tondela temos três zonas de recolha seletiva”, adiantou, acrescentando que se for um sucesso este projeto piloto será alargado a mais áreas do território.
O “Sou resto mais ainda presto” vai para o terreno numa primeira fase em Tondela, sendo depois alargado aos 18 municípios que integram o Planalto Beirão. No total, serão abrangidos em todo o território da AMRPB 930 habitações e 838 estabelecimentos.
O Planalto Beirão estima que o projeto permita que sejam desviados de aterro 2.813 toneladas de biorresíduos alimentares, que após a devida valorização poderão até ser utilizados na produção de eletricidade.
Este novo serviço representa um investimento global de 3,5 milhões de euros da AMRPB, financiado por fundos europeus.

