| O estudo da KPMG, “ESRS: lições aprendidas para o futuro”, analisa os relatos de sustentabilidade de 20 empresas portuguesas e conclui que, apesar do progresso já registado, metade das empresas ainda não quantifica os efeitos financeiros dos riscos climáticos |
| Lisboa, 2 de dezembro de 2025 – O estudo “ESRS: lições aprendidas para o futuro”, desenvolvido pela KPMG Portugal, analisa os relatos de sustentabilidade de 20 empresas portuguesas, correspondentes à primeira vaga de reporte ao abrigo das Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS). |
| Este estudo revela tendências, boas práticas e áreas de melhoria, pretendendo contribuir para a evolução das normas europeias e para o fortalecimento das práticas de relato de sustentabilidade em Portugal. Sempre que relevante, é apresentada uma comparação com os resultados da análise da KPMG a um universo alargado a outros países, que contemplou 270 empresas que reportaram ao abrigo das ESRS. Este exercício reforça a compreensão sobre o posicionamento das empresas portuguesas face à realidade internacional. Apesar do progresso alcançado em diversas áreas, ficam evidentes desafios a endereçar no futuro. Por exemplo, metade das organizações ainda não quantifica os efeitos financeiros associados aos riscos climáticos. De salientar que os efeitos financeiros atuais decorrentes da exposição a riscos climáticos envolvem também tipicamente impactos e divulgações com relevância para as demonstrações financeiras. |
| De acordo com as ESRS, identificar Impactos, Riscos e Oportunidades (IROs) materiais através da Análise de Dupla Materialidade é o elemento central do reporte de sustentabilidade. Lacunas como a referida sobre riscos climáticos compromete a aplicação plena do exercício de avaliação de dupla materialidade, um dos pilares centrais da diretiva europeia, fragilizando a utilidade da informação para investidores, reguladores e mercados. |
| Esta primeira vaga de reporte representa um marco importante na consolidação das práticas de sustentabilidade em Portugal. As empresas estão a adaptar-se a um normativo de relato de sustentabilidade exigente, num processo de aprendizagem que exige tempo, rigor e investimento. O verdadeiro desafio residirá em transformar estes dados em ações concretas relevantes para os stakeholders, em resiliência e em criação de valor. Há ainda uma grande margem para melhorar relativamente aos processos de recolha, de tratamento e análise destes dados. Este estudo revela-nos que as empresas dependem também muito das informações de fornecedores e parceiros na cadeia de valor, mas poucas descrevem, de forma detalhada, os procedimentos de recolha e validação desta informação. E é de extrema importância sublinhar que as ESRS requerem uma divulgação clara da metodologia sempre que são utilizados dados estimados ou aproximados. João Torres, Associate Partner de ESG na KPMG Portugal |
| Entre as várias conclusões do estudo, observa-se que a maioria das empresas em Portugal ainda apresentou a sua Análise de Dupla Materialidade (ADM) a um nível bastante agregado, o que tornou nesses casos as divulgações menos específicas e diminuiu a sua comparabilidade. Por outro lado, oito empresas apresentaram a ADM com uma desagregação ao nível dos sub-subtemas definidos na ESRS 1, e essa maior granularidade facilitou a identificação dos datapoints relevantes e uma navegação e divulgações mais eficazes sobre os IROs identificados por essas empresas. |
| Todas as vinte empresas portuguesas analisadas consideraram a norma S1 – Mão de Obra Própria como material, quer do ponto de vista da materialidade de impacto quer da materialidade financeira, refletindo a importância crescente da gestão de recursos humanos no contexto da sustentabilidade. |
| No âmbito da norma G1 – Conduta Empresarial, 16 das 20 empresas incluídas no estudo consideraram a norma como material, seja do ponto de vista do impacto ou do ponto de vista financeiro. Contudo, apenas metade das empresas estabeleceu metas concretas e poucas apresentaram mecanismos claros de monitorização da eficácia das políticas implementadas. |
| O estudo revela que um número significativo de empresas nacionais já estabeleceu metas concretas de redução das suas emissões de Gases com Efeito Estufa (GEE), alinhadas com iniciativas como a Science-Based Targets Initiative (SBTi). Entre as 20 empresas analisadas, nove têm metas de curto prazo já aprovadas pela SBTi (incluindo três com metas Net Zero) e duas encontram-se no seu processo de validação, demonstrando um compromisso claro com objetivos e estratégias de redução da pegada de carbono. |
| Este progresso na definição de metas credíveis reflete uma crescente maturidade na integração de práticas de sustentabilidade e na adaptação às exigências das European Sustainability Reporting Standards (ESRS), tendência crescente e alinhada com o que se observa no panorama internacional. |

Relatórios de sustentabilidade das empresas portuguesas revelam lacunas na avaliação do impacto financeiro dos riscos climáticos
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