“Tudo O Que Existe” é um espetáculo que nasce da vontade de aproximar duas figuras históricas marcantes — Hipátia de Alexandria e Isadora Duncan — e de imaginar um encontro entre ambas. Criado por Ana Seia de Matos, o espetáculo conjuga teatro e dança para explorar a dimensão espiritual que marcou os percursos destas mulheres, separadas por séculos, mas ligadas pela liberdade de pensamento, pela dedicação à pedagogia, pelo impulso criativo e pela forma trágica como as suas vidas terminaram.
Num mundo marcado pela aceleração e pelo excesso, “Tudo O Que Existe” propõe um tempo para escutar. Através de um diálogo que nunca existiu, mas que poderia ter acontecido, o espetáculo questiona o lugar que ocupamos no mundo e o propósito da nossa vida. Há pistas para uma vida mais plena nas visões de Hipátia e Isadora? Podemos ainda aprender com elas? A peça não oferece respostas, mas procura estimular a dúvida e o pensamento.
A ideia surgiu após o visionamento do filme Os Filhos de Isadora, de Damien Manivel, que despertou o interesse de Ana Seia de Matos pela autobiografia da bailarina americana. A vontade de cruzar essa figura com outra levou ao encontro com Hipátia. “Isadora deixou-nos vários escritos na primeira pessoa, sabemos o que pensava sobre diversos assuntos, mas o que pensaria Hipátia dessas mesmas questões? Dela, pouco se sabe. Não deixou nada escrito; tudo o que sabemos chegou-nos por fontes secundárias. Mas muito se efabulou acerca desta mulher, vista como um símbolo da ciência e da liberdade de pensamento contra um cristianismo repressivo.”
A relação entre estas duas personagens é construída a partir da dicotomia corpo/pensamento, das ideias de espiritualidade e pedagogia que ambas cultivaram. Como reagiria Hipátia, talvez mais austera, a uma mulher sensual e indomável como Isadora? E vice-versa? “Estas mulheres são diferentes, mas, de algum modo, entendem-se e respeitam-se. Podem discordar, mas isso não encerra o diálogo, pelo contrário, abre a curiosidade.”
Interpretado e cocriado por Mariana Silva e Sofia Moura, com a presença da voz de Carla Galvão, o espetáculo propõe-se como um exercício de pensamento em movimento. A cocriação, dramaturgia, cenografia e produção são de Ana Seia de Matos. Leonor Keil fez o apoio ao movimento. O projeto foi apoiado e financiado pelo Município de Viseu através do programa Eixo Cultura.
A estreia acontece nos dias 9 e 10 de Maio, às 21h30 no Círculo de Criação Contemporânea de Viseu, Polo 2. A reservas fazem-se em www.anaseiadematos.com/toqe

