O turismo cinegético, os recursos e as potencialidades do território, assim como o turismo gastronómico, com destaque para produtos endógenos e pratos de caça e pesca são o mote para uma visita à XVI Feira de Caça, Pesca e Desenvolvimento Rural, que acontece nos dias 31 de janeiro, 1 e 2 de fevereiro, no Pavilhão Multiusos de Vilar Formoso. Calema, Toy e Joana Santos estão em destaque no programa de animação.
O evento, organizado pela Câmara Municipal de Almeida, apresenta um espaço expositivo de mostra e venda de artigos de caça e pesca, artesanato, produtos agroalimentares, exposição de árvores e de plantas autóctones, exposição de cães de matilhas, exposição de pesca interativa e educação ambiental, taxidermia de aves e mamíferos e mostra de maquinaria agrícola.
Em entrevista à Gazeta Rural, o presidente da Câmara de Almeida diz que o certame “chega a 2025 com alguma dimensão e como um evento consolidado”. António José Machado espera que “seja novamente um êxito”.
Gazeta Rural (GR): A Feira da Caça apresenta, este ano, um programa de animação com nomes de primeiro plano, como Calema e Toy?
António José Machado (AJM): É verdade, não só Calema e Toy, mas também a Joana Santos, uma artista espanhola que queremos que traga um tipo de música, que é muito ouvido na zona da Raia, e na parte da fronteiriça, para também cativarmos os visitantes espanhóis a estarem presentes na feira.
GR: O que espera da edição deste ano?
AJM: O que esperamos é que seja novamente um êxito e a consolidação de uma feira, com 16 anos, que tive o prazer de a ver iniciar, sempre com o objetivo claro de puxar pelo setor cinegético, turismo de natureza e outras atividades, como a gastronomia, a hotelaria e, consequentemente, a parte agrícola do concelho, para termos essa inclusão.
A feira chega a 2025 com alguma dimensão, vem crescendo ano após ano e é um evento consolidado. Queremos que continue e perdure no tempo. Isso deixa-nos muito satisfeitos, pelo trabalho que foi desenvolvido ao longo dos anos.
GR: Sendo uma feira virada para a caça e a pesca, é um evento ‘para toda a família’?
AJM: Sim, preparámos uma programação para que toda a família pudesse visitar a feira. Temos atividades dirigidas para os mais novos, para conhecerem e terem contacto com a natureza, com os animais e com as atividades cinegéticas, tendo em conta as várias idades. Queremos que haja interação dos mais novos com as famílias, para que contribuam para o sucesso da feira e destas atividades. Por isso, continuamos com este lema ‘um evento para toda a família’ e a programação é desenhada dessa forma.
GR: Como estão os setores da caça e da pesca no concelho?
AJM: A consolidação desta feira trouxe também diversas atividades de caça, em que há uma participação e um crescimento significativo nas várias associações. Começámos com uma associação envolvida neste processo, acabámos depois por ter uma segunda, com atividades diferenciadas, porque uma era montaria e as outras eram mais largadas.
Neste momento, o nosso calendário abrange a totalidade das associações do concelho. Estão várias associações com eventos durante a feira. Vamos ter duas montarias, que vão juntar cerca de 400 monteiros no concelho, e, no dia seguinte, vamos ter 400 caçadores que estarão nas largadas de perdizes, organizadas por duas associações, em Vilar Famoso e Almeida.
Para nós é uma satisfação ver que, entretanto, houve o crescimento da parte turística. Há processos em curso, com dois deles já a funcionarem em pleno, que trazem todos os fins de semana gente ao concelho, que vêm praticar este desporto ou esta atividade cinegética. Vêm, ficam alojados, fazem cá as suas refeições, numa atividade que queremos que continue em pleno desenvolvimento, porque ainda há caminho por percorrer.

GR: Como é que olha para o conjunto de parcerias que têm vindo a ser desenvolvidas nas zonas fronteiriças?
AJM: São essenciais. Na realidade nós temos esses contactos já diários. Há uma diferença ainda grande de cultura, de hábitos que estão enraizados, mas também há essa relação de proximidade na atividade diária. Não faz sentido que instituições que estão no território não trabalhem para o mesmo fim, utilizando equipamentos comuns. Por isso é que nós também lançamos a nossa Euro Cidade, para fazermos a ligação com Fuentes de Oñoro, aqui mesmo ao lado da fronteira com o Vilar Formoso, com Ciudad de Rodrigo, numa extensão maior do território.
Temos diversas atividades, como a Cidade Amuralhada, além de que Cidade Rodrigo e Almeida têm muitos projetos em comuns. Trabalhamos com Fuentes de Oñoro e também com a Junta de Freguesia de Vilar Famoso, num mercadinho transfronteiriço e noutras atividades que estamos a fazer em conjunto, nomeadamente em festivais de juventude e musicais. Não há projetos que não se possam fazer em conjunto, em prol de uma comunidade que tem proximidade e que possa conviver mais.
GR: Como é que se tem vindo a desenvolver o setor primário no concelho?
AJM: O setor primário representa um número significativo de empresários no concelho. Este é um setor que tem uma importância elevada no seu crescimento. Felizmente, temos assistido à consolidação de vários projetos, na passagem de pais para filhos e casais jovens que tenham ficado no território, consolidando projetos agrícolas viáveis, onde conseguem ter a vida a 100% no setor primário. Temos vindo a incentivar estes empresários através dos vários programas do InvestAlmeida, que tem uma parte grande centrada na componente agrícola, nomeadamente a pecuária. No nosso concelho, este setor tem um volume muito grande e queremos desenvolver agora a construção do Parque de Leilão de Gávea. O projeto está concluído e temos de o validar na Direção-Geral de Veterinária. Poderá ser uma alavanca, não só para Almeida, mas também para Figueira de Castelo Rodrigo e Pinhel, porque muitos agricultores estão associados numa cooperativa, que está sediada em Almeida. Mas há um bom entendimento entre as partes e podemos desenvolver ainda mais esta atividade, tendo em vista o mercado de exportação, que pode ter uma margem de crescimento grande com esta nova iniciativa.

