A sessão solene do Dia do Município de Viseu, realizada hoje na Praça da República, ficou marcada por discursos de forte afirmação territorial, apelos à união e projeção estratégica do futuro do concelho. O presidente da Assembleia Municipal, José Mota Faria, o Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, e o presidente da Câmara, João Azevedo, destacaram o papel do Poder Local, a identidade viseense e os investimentos estruturantes que moldam o futuro da cidade.
A Praça da República, o Rossio de Viseu, transformou‑se esta manhã no palco central das comemorações do Dia do Município, assinalado a 21 de setembro, Dia de São Mateus. A sessão solene reuniu autarcas, entidades civis, militares e religiosas, num momento de celebração da identidade viseense e de projeção das prioridades estratégicas para o território.
O presidente da Assembleia Municipal, José Mota Faria, abriu a cerimónia com um discurso marcado pela valorização da gestão rigorosa e pela ambição coletiva. “O Dia do Município tem de ser também o dia dos sonhos e utopias. Temos de acreditar, é possível, com a união, a participação e o trabalho de todos”, afirmou, sublinhando a importância de preservar o património arquitetónico e paisagístico e de manter uma administração municipal assente na transparência e na boa gestão.
Mota Faria destacou ainda a atratividade do concelho, reforçando que Viseu continua a ser “uma aposta natural dos investidores”, beneficiando de localização privilegiada, segurança e qualidade de vida. Para o autarca, o futuro passa por garantir habitação, oportunidades para os jovens e uma vida cultural de referência, apoiada por um centro de cultura capaz de captar eventos e dinamizar o turismo.
Silvério Regalado elogia força do Poder Local e destaca vitalidade crescente de Viseu
Seguiu‑se a intervenção do Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, que destacou o papel decisivo do Poder Local ao longo das últimas cinco décadas. “O Poder Local Democrático mudou o país para muito, muito melhor”, afirmou, defendendo a proximidade como elemento essencial para decisões eficazes e respostas rápidas às populações.
O governante elogiou o trabalho dos autarcas e funcionários municipais, lembrando que “o município faz‑se de projetos e investimentos, mas sobretudo de pessoas”, e reafirmou o compromisso do Governo com a descentralização, a simplificação administrativa e o reforço da autonomia financeira das autarquias. Silvério Regalado destacou ainda a vitalidade de Viseu, referindo que a cidade ganhou mais de oito mil residentes nos últimos anos e que a Feira de São Mateus voltou a ultrapassar um milhão de visitantes, prova da capacidade de preservar tradições e projetá‑las no futuro.
João Azevedo projeta futuro de Viseu e anuncia requalificação dos Paços do Concelho
O presidente da Câmara Municipal, João Azevedo, encerrou a sessão com um discurso marcado pela afirmação da identidade coletiva, pela homenagem às figuras que moldam o território e pela projeção de investimentos estruturantes para o futuro do concelho. Evocou a união das 25 freguesias e a centralidade simbólica do Rossio. “O dia em que Viseu se une. O dia em que Viseu se reúne”, afirmou, olhando para a praça como “a nossa Sala de Estar, a nossa Sala de Visitas”.
Logo no início, o autarca sublinhou o caráter comunitário da celebração, afirmando que “chegámos ao nosso dia. O dia em que Viseu se une. O dia em que Viseu se reúne”. João Azevedo evocou a força simbólica do Rossio, que descreveu como “a nossa Sala de Estar, a nossa Sala de Visitas”, reforçando a ideia de que o município é uma “Casa Comum onde todos cabem”.
Paços do Concelho: 150 anos e uma requalificação urgente
Um dos anúncios mais relevantes da sessão foi a intenção de avançar com a requalificação do edifício dos Paços do Concelho, que assinala 150 anos desde o plano de obras que lhe deu origem. “Foi há 150 anos, mais precisamente a 24 de Maio de 1876, que então o vice‑presidente da Autarquia, Andrade Silva, anunciou um plano de obras municipais”, recordou o presidente. O autarca sublinhou que o edifício “carece de melhorias estruturais” e revelou que o município pretende desenvolver um contrato de cooperação técnico‑financeira com o Governo para viabilizar a intervenção. João Azevedo justificou a urgência da obra afirmando que a requalificação é essencial para melhorar as condições de trabalho dos funcionários e garantir “melhores soluções para uma resposta célere e eficaz por parte da autarquia”. O investimento será de um milhão de euros.
O presidente da Câmara estendeu esta necessidade às freguesias, lembrando que “carecem também de melhores instalações para darem resposta aos seus fregueses”, valorizando o papel dos autarcas locais e a importância da proximidade no serviço público.
Trabalhadores municipais como base do futuro
João Azevedo dedicou parte significativa da intervenção ao reconhecimento dos trabalhadores da autarquia, afirmando que o futuro do concelho se constrói “em primeira instância, pelos trabalhadores da Autarquia”. Destacou o “empenho, a avidez de novos projetos e a abertura para colaborarem proativamente”, agradecendo “a todas e a todos, sem exceção”.
Os homenageados com mérito municipal foram apresentados como “a personificação das múltiplas e diversificadas formas como projetamos o futuro do nosso Conselho”. O autarca evocou figuras marcantes da vida cultural, social, económica e desportiva de Viseu, associando cada personalidade a um eixo estratégico do desenvolvimento local.
Cultura, tradição e identidade como pilares estruturantes
Ao longo do discurso, João Azevedo reforçou a importância da cultura e das tradições viseenses. Sobre as Cavalhadas, afirmou que nelas “conseguimos ver Viseu, conseguimos ver gerações”. Sobre o Centro Histórico, defendeu que deve “ter vida, ter uso, ter turismo”, destacando o papel da Rua Direita, do Mercado 2 de Maio e das instituições culturais que mantêm viva a identidade da cidade.
O autarca projetou também o futuro económico do concelho, referindo o aeródromo municipal, o crescimento do ensino superior e a instalação de novas empresas nas antigas instalações da Universidade Católica. “Viseu é realmente fértil se adobarmos deste terreno onde a economia hoje cresce e vai se modernizando”, afirmou.
Personalidades que moldam o território
João Azevedo percorreu um conjunto de figuras que, segundo o presidente, representam o melhor de Viseu, como Adelino Ferreira Néri, exemplo de segurança e serviço público; a Associação de Futebol de Viseu, símbolo de cem anos de história desportiva; Glória Paiva, expressão cultural e poética da cidade; Jorge Fraga, referência das artes performativas; José Perdigão, criador e dinamizador cultural; Miguel Almeida, profundo conhecedor do folclore da região; Milton Santos Lopes, fundador da Dietmed e exemplo de inovação; e Nuno Loureiro, cientista de renome internacional ligado ao MIT.
Sobre este último, o autarca afirmou que Viseu deve ser um concelho onde as pessoas “nascem, crescem, estudam, trabalham e aqui façam o resto da sua vida”, lamentando que o investigador não possa regressar ao mundo dos vivos, mas garantindo que o município continuará a trabalhar para atrair talento e criar oportunidades.
Viseu como terra de futuro
João Azevedo terminou com uma mensagem de esperança e compromisso: “Viseu é uma terra de mulheres e de homens maravilhosos. É com eles que estamos a construir diariamente o futuro” O autarca reforçou que o concelho tem atributos, qualidades e potencial para continuar a afirmar-se como território de referência regional, sustentado pela união, pela identidade e pela capacidade de projetar o futuro.

