O Festival do Borrego Serra da Estrela DOP levou este domingo à Carrapichana, no concelho de Celorico da Beira, produtores, pastores, entidades do setor e responsáveis políticos, numa jornada dedicada à valorização da ovelha Serra da Estrela, da pastorícia e dos produtos certificados da região. A iniciativa contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes.
Promovido pelo Município de Celorico da Beira, em parceria com a Junta de Freguesia de Carrapichana, a Estrelacoop e a ANCOSE, o certame associou gastronomia, tradição, cultura, música, desporto e artesanato. O programa incluiu degustações, exposição e leilão de gado, um encontro de pastores e a décima etapa da Grande Rota da Transumância, entre Linhares da Beira e Carrapichana.
A festa encerra com a atuação de José Malhoa, mas a promoção do produto prolonga-se durante a Semana Gastronómica, até 1 de novembro, nos restaurantes aderentes da Região Demarcada do Borrego Serra da Estrela. À mesa, o borrego surge em receitas tradicionais, como o assado e o guisado, e também em propostas contemporâneas.
Produtos certificados precisam de ganhar mercado
Em representação da Estrelacoop, Paulo Mota agradeceu o trabalho dos criadores, das autarquias, das escolas e dos profissionais envolvidos no festival, que considerou determinante para promover o Borrego Serra da Estrela DOP. Apesar do potencial do produto, reconheceu que ainda não foi alcançado o patamar de comercialização desejado. “Temos de fazer mais, ser mais criativos e tornar este evento ainda maior”, afirmou.
O responsável defendeu um enquadramento mais favorável para os produtos DOP geridos pela cooperativa – Borrego Serra da Estrela, Queijo Serra da Estrela e Requeijão Serra da Estrela – e chamou a atenção para a pequena dimensão das explorações, o peso dos custos de produção e a necessidade de preservar as raças autóctones. Segundo Paulo Mota, sem apoios adequados “a atividade deixa de fazer sentido”, porque estas raças são menos produtivas, embora estejam na origem de produtos de reconhecida qualidade.
Entre as preocupações apresentadas esteve também a futura Política Agrícola Comum. O representante da Estrelacoop pediu que se mantenham instrumentos dedicados ao desenvolvimento rural e à preservação das raças autóctones. Anunciou ainda que a cooperativa prepara uma candidatura à UNESCO para salvaguardar o processo de produção do Queijo Serra da Estrela e convidou o ministro a apadrinhar a iniciativa.
Uma festa da identidade serrana
O presidente da Câmara de Celorico da Beira, Carlos Ascensão, sublinhou que o festival homenageia “as pessoas resistentes que se dedicam à pastorícia e à agricultura”, bem como a história e a identidade da Serra da Estrela. Para o autarca, a iniciativa ultrapassa as fronteiras da freguesia e do concelho, assumindo-se como uma celebração de toda a região demarcada e da fileira associada ao borrego, ao queijo, ao requeijão e a outros produtos endógenos.
Carlos Ascensão destacou a importância do trabalho em parceria com a ANCOSE, na preservação e melhoria da ovelha Serra da Estrela, e com a Estrelacoop, na certificação dos produtos. “Se queremos que tenham aceitação nacional e internacional, a certificação é um processo fundamental”, afirmou.
O autarca evocou igualmente o papel histórico da Carrapichana enquanto ponto de encontro e de comércio de gado e queijo, considerando que o festival recupera essa memória e reforça a afirmação do território. “É por vocês e para vocês que temos de estar aqui todos os dias”, disse, dirigindo-se aos pastores e agricultores.
Governo anuncia reforço dos apoios
No encerramento dos discursos, José Manuel Fernandes agradeceu aos produtores e pastores, salientando que o seu trabalho assegura alimento, biodiversidade, proteção do território e prevenção de incêndios. “O pastor também produz bens públicos”, afirmou, defendendo que a agricultura e a pastorícia são a base da segurança alimentar e da coesão territorial.
O ministro indicou que o Governo destina 30 milhões de euros por ano à pastorícia, incluindo apoios aos baldios, à redução da carga combustível e à entrada de novos pastores. Referiu ainda que o prémio de primeira instalação para jovens agricultores é de 55 mil euros e anunciou a abertura, entre o final deste ano e o início do próximo, de um novo concurso destinado a mais 200 jovens, com candidatura simplificada.
José Manuel Fernandes revelou também um reforço de 40 milhões de euros para responder ao aumento dos custos dos fertilizantes e de contexto. Sobre a futura Política Agrícola Comum, garantiu que Portugal procura salvaguardar verbas exclusivamente destinadas à agricultura e ao desenvolvimento rural no período de 2028 a 2034.
Respondendo ao convite da Estrelacoop, o governante manifestou disponibilidade para se associar à candidatura de salvaguarda do processo de produção do Queijo Serra da Estrela. “Temos de valorizar o que é nosso, quem produz, as nossas raízes e especificidades”, declarou, concluindo que o objetivo central passa por aumentar o rendimento e promover a renovação geracional.
Entre a defesa dos produtos certificados, os anúncios de apoio ao setor e a evocação das tradições serranas, o Festival do Borrego Serra da Estrela DOP voltou a colocar a pastorícia no centro do debate sobre o futuro económico, ambiental e social dos territórios do interior.

