Rewilding Portugal quer preparar rios para o regresso do castor ao país e pede apoio em votação internacional

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A Rewilding Portugal é uma das organizações finalistas de uma votação internacional promovida pela European Outdoor Conservation Association (EOCA), que vai selecionar dois projetos de conservação da natureza para receberem um financiamento de 30 mil euros cada. A organização portuguesa concorre com uma iniciativa destinada a preparar os rios do Douro Internacional para o regresso natural do castor-europeu, uma espécie que desapareceu do território nacional há séculos. A votação pública arranca esta quinta-feira, 5 de novembro, às 12h00, e decorre até 17 de novembro, estando aberta à participação do público.

Intitulado The Beaver’s Return: Preparing Rivers for Their Expansion, o projeto pretende recuperar três ribeiras na região do Douro Internacional, através da remoção de árvores invasoras, da plantação de 5.000 árvores autóctones e da construção de duas pequenas estruturas inspiradas nos diques dos castores, destinadas a favorecer a retenção de água e a recuperação dos ecossistemas ribeirinhos.

A candidatura surge numa altura em que o castor-europeu está a expandir naturalmente a sua distribuição na Península Ibérica, existindo registos recentes nas proximidades do Parque Natural do Douro Internacional. A Rewilding Portugal pretende antecipar a possível chegada destes animais, melhorando as condições ecológicas dos cursos de água e permitindo que a espécie encontre habitats mais favoráveis à sua expansão.

Preparar os rios para o regresso dos engenheiros da natureza

Conhecidos como verdadeiros engenheiros dos ecossistemas, os castores desempenham um papel fundamental na dinâmica dos rios e das zonas húmidas. Através da construção de diques e da alteração dos cursos de água, estes animais podem criar novos habitats, aumentar a retenção de água na paisagem e favorecer a biodiversidade.

A sua atividade pode beneficiar inúmeras outras espécies, incluindo anfíbios, aves, peixes e invertebrados, contribuindo simultaneamente para a recuperação de processos naturais e para uma maior resiliência dos ecossistemas perante períodos de seca.

No entanto, muitos dos cursos de água que poderão vir a acolher o castor apresentam sinais de degradação, incluindo a presença de espécies arbóreas invasoras e a perda de vegetação ribeirinha autóctone.

O projeto da Rewilding Portugal pretende responder a estes desafios através de intervenções de restauro ecológico em três ribeiras do Douro Internacional. Além da plantação de 5.000 árvores autóctones e da remoção de espécies invasoras, serão construídas duas pequenas estruturas inspiradas nos diques dos castores, procurando reproduzir algumas das suas funções ecológicas, nomeadamente a retenção de água.

A iniciativa não prevê a introdução ou libertação de castores em Portugal, mas sim a recuperação das condições naturais que poderão facilitar a sua futura expansão no território.

Portugal compete com projetos de conservação de vários continentes

A candidatura portuguesa integra um conjunto internacional de projetos finalistas que procuram responder a alguns dos principais desafios de conservação da biodiversidade.

Entre os restantes candidatos encontram-se iniciativas destinadas a proteger a hirola, um dos antílopes mais ameaçados do mundo, no Quénia; recuperar zonas húmidas essenciais para a sobrevivência do gato-pescador, no Nepal; restaurar florestas submarinas de algas na Noruega; proteger pangolins ameaçados pelo tráfico ilegal no Laos; e recuperar florestas amazónicas no Peru, através da plantação de espécies nativas e do envolvimento das comunidades locais.

Os projetos demonstram a diversidade de ecossistemas e espécies abrangidos pela iniciativa, desde as florestas tropicais e zonas húmidas até aos ambientes marinhos e aos rios europeus.

A votação pública permitirá selecionar duas iniciativas para receberem um financiamento de 30 mil euros cada, num total de 60 mil euros destinados à conservação da natureza.

Para a Rewilding Portugal, a seleção do seu projeto representaria uma oportunidade de avançar com intervenções concretas de recuperação ecológica no Douro Internacional, contribuindo para preparar o território para o regresso natural de uma espécie com um papel importante na recuperação dos ecossistemas aquáticos.

Votação aberta até 17 de novembro

A European Outdoor Conservation Association é uma organização internacional que reúne empresas do setor das atividades ao ar livre e apoia financeiramente projetos de conservação da natureza em diferentes regiões do mundo.

A votação pública decorre entre 5 e 17 de novembro de 2026 e está aberta à participação de todos os interessados.

Para apoiar a candidatura portuguesa, basta aceder à plataforma oficial de votação da EOCA, efetuar o registo com um endereço de email válido, concluir a verificação e selecionar o projeto The Beaver’s Return: Preparing Rivers for Their Expansion, Portugal, da Rewilding Portugal.

A organização apela à mobilização dos cidadãos portugueses e da comunidade internacional, sublinhando que cada voto válido pode contribuir para assegurar o financiamento necessário à recuperação destes ecossistemas.