Secretário de Estado da Proteção Civil inaugurou Festival do Frango do Campo em Oliveira de Frades

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O Festival do Frango do Campo abriu com casa cheia e ambiente de reencontro em Oliveira de Frades, numa tarde marcada pela presença de autarcas, produtores, associações, forças de segurança e centenas de visitantes. Antes da intervenção do Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, o presidente da Câmara Municipal, João Valério, agradeceu a presença do governante, sublinhando a importância da sua deslocação ao concelho num momento particularmente sensível para a região. Recordou que Rui Rocha esteve no terreno, reunido com autarcas de Vouzela, Tondela e Águeda, avaliando os danos do grande incêndio que recentemente afetou milhares de hectares. “Fez questão de estar nesta reunião […] para perceber não só os estragos causados pelo incêndio, mas, sobretudo, a questão do combate, de estar ao lado dos bombeiros”, afirmou João Valério, destacando a proximidade demonstrada pelo governante durante os dias mais difíceis.

O presidente da Câmara fez questão de elogiar a atitude de acompanhamento diário por parte do Secretário de Estado, sublinhando que essa postura merece reconhecimento público. “Quando um governante que representa o Estado português está assim, desta forma, desapegada e próxima da população no terreno, há que reconhecer”, disse, acrescentando que a capacidade de decidir é uma qualidade essencial na ação política.

Num discurso marcado pela valorização das forças vivas do concelho, João Valério dirigiu palavras de apreço aos autarcas presentes, aos presidentes de junta, às associações, às empresas parceiras — com destaque para a Campoaves e para as Águas do Caramulo — e à Confraria Gastronómica do Frango do Campo, que tem contribuído para a afirmação de Oliveira de Frades como Capital Nacional do Frango do Campo.

O autarca dedicou também uma parte significativa da intervenção aos bombeiros voluntários, lembrando o esforço, a coragem e a dedicação demonstrados no combate ao incêndio que marcou o início da época. Falou de noites difíceis, de trabalho contínuo e de uma entrega que testemunhou pessoalmente. Reforçou ainda a necessidade de renovar meios e viaturas, lembrando que o parque automóvel da corporação inclui veículos dos anos 70, 80 e 90, e apelou ao apoio do Governo para reforçar a capacidade operacional.

O presidente da Câmara destacou, também, o papel dos funcionários municipais, responsáveis por grande parte da infraestrutura que sustenta o festival e o trabalho diário do concelho. Da água ao saneamento, da manutenção de estradas à montagem do certame, o autarca sublinhou que a equipa municipal é essencial para o funcionamento do território.

O discurso evoluiu depois para a dimensão económica e turística do festival. João Valério lembrou que a avicultura foi, durante décadas, o motor económico da região, permitindo a muitas famílias estudar, criar empresas e gerar riqueza. Hoje, embora coexistam outros setores pujantes, o frango do campo continua a ser símbolo maior da identidade local. O festival, afirmou, é uma celebração dessa história, dessa gente e dessa comunidade.

Mas é também uma montra para o exterior. O autarca destacou o crescimento das dormidas, da restauração e dos alojamentos locais, reforçando que Oliveira de Frades é cada vez mais um destino turístico, com o Caramulo, a barragem de Ribeiradio e o património natural como elementos distintivos. O festival, disse, é uma alavanca para atrair visitantes, dinamizar o comércio e fortalecer a economia local.

À medida que o sol descia sobre o recinto, o presidente da Câmara concluiu com um convite aberto: que todos regressem, que todos visitem Oliveira de Frades, que aproveitem as praias fluviais e os recursos naturais do concelho. O festival, afirmou, é apenas o início de cinco dias de celebração, encontro e afirmação territorial.

Secretário de Estado da Proteção Civil reuniu com agentes do setor da região

A presença do Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, marcou o arranque oficial das festividades. O governante chegou ao recinto acompanhado por autarcas de vários municípios vizinhos, representantes das forças de segurança, dirigentes associativos e elementos dos bombeiros voluntários. Antes de subir ao palco, percorreu o espaço expositivo, detendo-se junto das associações locais, artesãos e produtores que dão corpo ao festival. A proximidade com o terreno foi, aliás, um dos pontos que o próprio fez questão de sublinhar: “Daquilo que mais gosto […] é de estar presente no terreno, na proximidade, sobretudo também para ouvir, para presenciar, para testemunhar”, afirmou, lembrando os seus 20 anos de experiência autárquica.

A intervenção de Rui Rocha destacou o papel estratégico que eventos territoriais desempenham na economia e na coesão social. O festival, disse, “é uma verdadeira montra de Oliveira de Frades”, valorizando produtos locais, dinamizando o comércio tradicional e reforçando o orgulho das comunidades. A referência ao frango do campo — produto emblemático do concelho — surgiu como símbolo maior dessa identidade, lembrando que daqui sai “80% da produção nacional”, facto que, segundo o governante, evidencia a relevância económica do setor.

Mas a tarde não se fez apenas de celebração. O Secretário de Estado trouxe consigo o peso das últimas semanas, marcadas pelo grande incêndio que atingiu a região e que já é considerado o maior do ano, com cerca de 15 mil hectares ardidos. Rui Rocha descreveu as condições meteorológicas extremas que dificultaram o combate, sublinhando que “a noite estava com condições nunca vividas neste século desde 2001”, e deixou um agradecimento público aos bombeiros voluntários e a todos os agentes de proteção civil que estiveram no terreno.

A segurança rodoviária foi outro dos temas abordados, num período em que o regresso de emigrantes e a multiplicação de festas populares aumentam a circulação nas estradas. O governante apelou à responsabilidade individual, lembrando que “o mais importante não é chegar depressa, é chegar bem”, numa mensagem dirigida aos milhares de pessoas que atravessam o país nesta altura do ano.

Entre o público, o ambiente era de reencontro. Famílias regressam ao concelho por estes dias, aproveitando as festas do município para renovar laços e partilhar memórias. O festival funciona como ponto de convergência entre quem permanece e quem partiu, reforçando uma identidade que não conhece fronteiras.

Ao longo do recinto, o cheiro do frango do campo assado misturava-se com o som da filarmónica e com o movimento constante de visitantes. As associações exibiam trabalhos, as empresas locais mostravam inovação e os produtores apresentavam o melhor da gastronomia regional. A Confraria do Frango do Campo reforçava a ligação entre tradição e modernidade, numa celebração que é tanto económica quanto cultural.

Rui Rocha terminou a intervenção com uma mensagem de confiança no futuro dos territórios e no papel das autarquias na construção de comunidades mais atrativas para viver, trabalhar e investir. Falou de uma “estratégia territorial 3.0”, centrada na qualidade de vida, sustentabilidade e inovação, e felicitou o município pelo dinamismo demonstrado.

O festival é mais do que um evento gastronómico: é uma afirmação coletiva de identidade, pertença e força territorial. Oliveira de Frades volta, assim, a mostrar que sabe transformar tradição em futuro, reunindo a comunidade em torno de um produto que é símbolo maior da sua história e da sua economia.