Autarcas de Viseu, Guarda e Coimbra exigem ação concertada para salvar o Mondego

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A necessidade de proteger os recursos hídricos, prevenir cheias e recuperar os ecossistemas da bacia hidrográfica do Mondego marcou o arranque do 1.º Congresso “Mondego, que futuro para esta bacia hidrográfica?”, realizado em Viseu. Durante a sessão de abertura, autarcas de Viseu, Guarda e Coimbra, bem como representantes do movimento ambientalista, defenderam uma estratégia integrada para responder aos desafios provocados pelas alterações climáticas, pela poluição e pela degradação ambiental que afetam o rio e os territórios que atravessa.

O presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo, destacou a importância de aproximar o conhecimento científico da decisão política, considerando que a gestão dos recursos hídricos exige informação rigorosa e uma visão estratégica capaz de antecipar os desafios futuros. O autarca sublinhou ainda a relevância das infraestruturas de armazenamento de água e da necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os recursos disponíveis para garantir respostas eficazes às necessidades das populações.

Já o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, alertou para os efeitos cada vez mais visíveis das alterações climáticas e para a irregularidade da precipitação, defendendo investimentos que reforcem a capacidade de armazenamento e gestão da água. O autarca recordou ainda os impactos dos incêndios na Serra da Estrela, lamentando a ausência de intervenções significativas de reflorestação e defendendo uma recuperação ativa do território que concilie proteção ambiental e valorização das atividades tradicionais. Na sua intervenção, sublinhou que os problemas que afetam o Mondego têm repercussões em toda a região Centro, apelando a uma resposta conjunta e coordenada.

Por sua vez, o vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Coimbra, Luís Francisco Filipe, salientou a importância do Mondego para o abastecimento público, para a agricultura, para o turismo e para a atividade desportiva, defendendo uma maior articulação entre municípios, entidades gestoras, comunidade científica e associações ambientalistas. Para o responsável, a adaptação às alterações climáticas, a conservação dos solos e a mitigação do risco de cheias exigem uma estratégia de longo prazo e um papel mais ativo dos municípios na gestão da bacia hidrográfica.

Também António Minhoto, do Movimento em Defesa do Rio Mondego (MUNDA), chamou a atenção para os problemas de poluição, erosão dos solos e degradação dos ecossistemas, defendendo uma abordagem integrada que vá além da construção de novas barragens. O dirigente ambientalista alertou para a necessidade de recuperar áreas afetadas por passivos ambientais e reforçar os mecanismos de fiscalização, de forma a garantir a preservação do rio e da biodiversidade associada.

O congresso reuniu decisores políticos, investigadores e movimentos cívicos em torno de um objetivo comum: transformar o diagnóstico já conhecido sobre os problemas do Mondego em medidas concretas capazes de assegurar a sustentabilidade da bacia hidrográfica e a proteção de um dos mais importantes recursos naturais da região Centro.