Investigador da Universidade de Coimbra critica nova barragem de Fagilde e defende aposta em Girabolhos

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O professor e investigador da Universidade de Coimbra, Fernando Seabra Santos, defendeu que a construção da nova barragem de Fagilde não representa a melhor solução para garantir o abastecimento de água à região de Viseu, considerando que a futura barragem de Girabolhos poderá responder de forma mais eficaz e duradoura às necessidades do território. As declarações foram proferidas durante o 1.º Congresso “Mondego, que futuro para esta bacia hidrográfica?”, realizado em Viseu, onde o especialista apresentou uma visão crítica sobre os investimentos previstos para a gestão dos recursos hídricos na região.

Segundo o antigo reitor da Universidade de Coimbra, a estratégia atualmente delineada para reforçar a capacidade de armazenamento de Fagilde implica um elevado investimento financeiro sem assegurar uma solução definitiva para os problemas de abastecimento. Fernando Seabra Santos defende que a barragem de Girabolhos, projetada para o rio Mondego, poderá garantir o fornecimento de água a Viseu durante várias décadas, permitindo uma gestão mais integrada dos recursos disponíveis e uma maior eficiência técnica e económica.

Durante a sua intervenção, o investigador recordou episódios de escassez de água registados na região, nomeadamente a necessidade de recorrer ao transporte de água entre barragens em períodos de maior pressão sobre o sistema. Na sua perspetiva, estes acontecimentos demonstram a importância de planear infraestruturas capazes de responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas e pela crescente procura de recursos hídricos.

O especialista admitiu que a barragem de Girabolhos não resolverá todos os constrangimentos da bacia hidrográfica do Mondego, mas considerou que poderá assumir um papel estratégico na segurança hídrica da região Centro. Defendeu ainda uma reflexão mais ampla sobre as soluções em curso, de forma a assegurar que os investimentos realizados produzem benefícios duradouros para os municípios e populações abrangidas.

Além das questões relacionadas com o abastecimento de água, Fernando Seabra Santos alertou para a falta de investimento na manutenção das infraestruturas existentes, apontando como exemplo as estações de tratamento de águas residuais e as redes de saneamento. O investigador considerou que muitas destas estruturas se encontram no limite da sua vida útil e sublinhou a necessidade de apostar não apenas em novas obras, mas também na preservação e modernização dos equipamentos já instalados.

O debate surge numa altura em que avança o projeto da nova barragem de Fagilde, anunciado recentemente como parte de um investimento que inclui igualmente uma nova estação de tratamento de águas residuais para a região. As declarações de Fernando Seabra Santos vieram acrescentar novas perspetivas à discussão sobre o futuro da gestão da água na região Centro, reforçando a importância de uma abordagem estratégica e integrada para enfrentar os desafios das próximas décadas.