Bruno Pinheiro trava euforia no lançamento do jogo com o Rio Ave

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O bom momento do Académico não retira cautela a Bruno Pinheiro, que, na antevisão do encontro com o Rio Ave, deixou claro que a equipa quer continuar a somar pontos, mas sem entrar em euforias depois dos últimos resultados positivos. O treinador espera dificuldades perante um adversário com qualidade individual e destacou a mobilidade dos médios e dos laterais vila-condenses, considerando que essa dinâmica torna mais difícil pressionar e recuperar a bola em zonas adiantadas. Bruno Pinheiro reconhece também que os adversários começam a apresentar soluções específicas para contrariar o futebol do Académico, principalmente na forma de condicionar a saída de bola. Por isso, considera fundamental que a equipa consiga interpretar rapidamente aquilo que o Rio Ave apresentar e adaptar os seus princípios às diferentes situações do encontro.

Apesar do triunfo em Alvalade e da sequência de bons resultados, o técnico garante que não existe qualquer sinal de relaxamento no grupo. «Não sinto esse relaxar, essa descompressão nestes jogadores. Sinto um grupo motivado, um grupo focado, que acima de tudo parece que são viciados em querer ganhar», afirmou Bruno Pinheiro, sublinhando a atitude competitiva que tem encontrado diariamente. O treinador chegou mesmo a revelar um episódio vivido depois do encontro em Alvalade, quando levou o filho ao balneário. «Aquilo que ele me destacou foi: ‘Pai, mas eles não festejaram a vitória.’ Não aconteceu essa euforia», contou, salientando que os jogadores estão conscientes tanto das suas qualidades como das suas limitações.

Bruno Pinheiro considera natural a satisfação dos adeptos perante o percurso da equipa, mas lembra que, dentro do balneário, a leitura é necessariamente diferente. «A vitória soube muito bem. Ficámos muito felizes com os três pontos. Mas não houve essa euforia que, se calhar, há cá fora», referiu. O treinador recordou ainda que a temporada está longe de estar decidida e que os pontos tendem a tornar-se mais difíceis de conquistar à medida que a competição avança e os adversários passam a olhar de outra forma para quem se destaca.

A classificação também não tira o sono ao técnico, que prefere concentrar as atenções no trabalho diário e na conquista de pontos. «O pensamento do lado de cá é coletar pontos, pontos, pontos, pontos. Nem sequer sei o lugar na tabela», afirmou. Bruno Pinheiro lembrou que ainda é demasiado cedo para estabelecer outros objetivos e garantiu que apenas quando a manutenção estiver matematicamente assegurada será altura de perceber até onde poderá chegar o Académico. «Nesse dia acredito que irei fazer essa reflexão: ‘E agora, o que é que podemos fazer mais?’»

Para já, a preocupação está exclusivamente no Rio Ave. Bruno Pinheiro quer uma equipa capaz de encontrar soluções perante as dificuldades colocadas pelo adversário e considera que o crescimento do Académico passa precisamente pela leitura dos diferentes momentos do jogo. «Não é só passar a bola de uma forma padronizada, automatizada, mas sim em função dos comportamentos que o adversário tenha», explicou. Depois de um início de campeonato que o próprio treinador considera positivo, a receita mantém-se: trabalho, concentração e ambição para continuar a ganhar, sem permitir que os bons resultados façam o Académico perder de vista a realidade de uma época que ainda tem muito caminho pela frente.